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sábado, 17 de setembro de 2011

O Livro do Médium Curador-José Lhomme

 

Índice do Blog

 

www.autoresespiritasclassicos.com

José Lhomme

O Livro do Médium Curador

Prefácio e tradução

do

Dr. Francisco Klor Werneck

É preciso que a nossa curiosidade tome um outro caminho que não o que está trilhando atualmente. Ela deve dirigir-se do físico e do fisiológico para o mental e o espiritual.

Dr. Aléxis Carrel

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Théodore Rousseau

Genebra

Conteúdo resumido

Entre outros aspectos retrata esta obra o trabalho fecundo do médium curador, como instrumento do Além e artífice da Bondade procurando servir sem medo e sem censura a cura do espírito e do corpo.

Explica ainda as causas das provações, como preparar a água magnetizada, ações à distância, o papel do médium curador e inúmeros outros assuntos de real interesse para todos aqueles que têm o dom divino de curar.

Esta pequena obra e feitas de pequenas pincelas dos grandes magnetizadores do passado e tendo como uma linha orientadora o trabalho do Codificador da Doutrina Espírita Allan Kardec.

Sumário

Prefácio da edição francesa / 05

Prefácio da edição brasileira / 09

Introdução / 14

1 - A necessidade de uma instrução preliminar / 17

A Constituição do homem

2 - As causas das provações / 19

A lei da justiça imanente

A linha da conduta espírita

Os escolhos do principiante

3 - O médium curador / 24

Comportamento, regime alimentar, gênero de vida, marcha, respiração

O enfermo

Os remédios

4 - A gradação das faculdades curadoras / 30

A Aura Humana

O magnetismo

Que é magnetismo?

Princípio de base

O fluido vital

Ação do pensamento sobre o fluido humano

Ação do fluido magnético

Qualidade dos fluidos

Polaridade humana

5 - A ação magnética / 41

Colocação em estado de relação

Imposição das mãos

Passes

Passes longitudinais simples ou vitalizantes

Passes longitudinais duplos

Passes transversais ou de descarrego

Passes rotativos

Insuflações

Sopro quente

Sopro frio

Jato fluídico

Magnetóforos

Água magnetizada

Duração da ação magnética dos magnetóforos

Ações à distância

Tratamento de algumas afecções orgânicas segundo Mesmer

Tratamento conforme Numus

Ação esterilizante das radiações humanas

O poder mumificador do fluido humano

Alguns conselhos

Duração e variabilidade dos tratamentos

Os insucessos dos magnetizadores

Descarrego pessoal do magnetizador

6 - O médium curador / 59

Papel do guia do médium

Papel da prece e do médium curador

Preparação mental no momento dos tratamentos mediúnicos

Preces do médium curador

Prece por um obsessor

Preces por um enfermo

O fluido espiritual

Automatismo psíquico

Hipersensibilidade

Clarividência

7 - As doenças psíquicas / 68

Loucura ou possessão

Obsessão

Alguns casos de obsessão espírita

Assombramento psíquico

8 - As influências mentais / 80

Emoções que matam e emoções que fortalecem

Imaginação desordenada

Efeitos fisiológicos de elevação espiritual

9 - O que se deve responder aos enfermos / 87

Intelectuais, tende fé

Ao médium curador

Índice das Gravuras

1 - A aura humana / 32

2 - Polaridade do corpo humano, face anterior e face lateral / 39

3 - Polaridade do corpo humano, face posterior / 39

4 - Tomada de contato / 42

5 - Magnetização de uma garrafa d'água / 50

6 - Exteriorização da sensibilidade / 67

Prefácio da edição francesa

A conquista da saúde não basta. É o progresso da pessoa humana que se trata de obter porque a qualidade da vida é mais importante do que a própria vida.

Dr. Alexis Carrel

"Esta obra é um guia destinado às pessoas de coração". Tais palavras, que o leitor notará nas primeiras linhas de sua introdução, indicam que o pensamento que inspirou o Autor, meu prezado amigo José Lhomme, quando ele compôs o presente trabalho ao mesmo tempo tão simplesmente escrito e tão rico em ensinamentos, em conselhos preciosos, oriundos, uns e outros, de uma longa e conscienciosa experiência.

Repito que se trata bem de um Guia que o eminente espírita belga quis presentear a quem queira servir na via nobre e generosa do sacrifício e da renúncia que é aquela onde se encontram os que sofrem e também os que choram. Diante da dor alheia e graças às possibilidades infinitas que as forças benfazejas da natureza concedem a quem quer se devotar há, com efeito, uma santa tarefa a desempenhar e para qual as boas vontades não serão nunca muito numerosas. Mas, para tal, é preciso uma disposição de espírito, um dom próprio, uma confiança total na Energia Criadora, em Deus e nos Seres do Além que já atingiram o ápice de bondade que torna as almas grandes e generosas.

Seguindo este Guia, todos os leitores compreenderão e aprenderão muitas coisas; eles aprenderão que, se a via na qual se empenha o curador, é difícil, é, apesar de tudo, dispensadora de alegrias profundas e verdadeiras, alegrias da alma e do coração às quais não são comparáveis nenhuma das satisfações humanas, nenhum dos prazeres que podem procurar os nossos sentidos imperfeitos.

É bem certo que esse "estado" do curador - que entrevejo aqui sob o ângulo moral e espiritual - implique muitos deveres e bastantes desprendimentos também. Não é necessário, desde então, vencer em si o "homem velho", o corpo dos desejos, condição absoluta para atingir os próximos cumes da espiritualidade? É uma condição indispensável para quem quiser possuir um poder benfeitor certo e durável, para alívio do fardo de outrem.

Pense em Deus muitas vezes mais do que respiras, dizia Epicteto. Por aí o célebre filósofo estóico mostrava aos seus discípulos a estrada real que leva ao conhecimento, à escalada do Divino pela prece, porque todo o pensamento de compaixão, todo o pensamento de bondade, todo o anelo do ser para Deus, para o Incriado, é uma prece. E a prece é essencial à ação duradoura, só ela determina a descida de forças puras em benefício da desgraça e do sofrimento humanos. E verificou-se que entre os curadores místicos, dignos deste qualificativo pela sua retidão e dignidade de vida, a força espiritual que eles recebem do Alto e espalham ao redor de si aumentada pela prece, é de essência superior e difere totalmente, em natureza e qualidade, do fluido magnético ou humano.

Eis, de resto, resumido por Burnet, que foi, no começo deste século, um curador suíço altamente compenetrado de sua missão, a modalidade de ação dos tratamentos espirituais, tal como a praticou, modalidade que achamos narrada pelo dr. Ed. Bertholet, laureado da Universidade de Lausanne, em sua obra capital: "Uma Curadora Mística Moderna: Eugénie Isaeff-Jolivet, na pág. 37:

"A medicina hermética (tratamentos espirituais) transporta a sua ação para o plano astral, isto é, age sobre a fonte mesma da vida! Em lugar de se ligar a tal parte do ser fisiológico, ela se liga ao corpo astral que alimenta a vida, regula o jogo das funções inconscientes, repara os tecidos e os transforma. As enfermidades são assim atingidas em suas próprias fontes, porque os traços que delas vemos nos órgãos, tratados unicamente pela Medicina Usual, só são manifestações das perturbações correspondentes ao corpo astral.

"O adepto, sendo um centro de força espiritual e fluídica, age diretamente sobre a alma do enfermo e, pelo seu corpo astral, penetra o seu corpo físico. A parte enferma se modifica sob os movimentos ondulatórios da força; as moléculas mais densas, submetidas à ação da corrente espiritual, modificam progressivamente a velocidade das suas vibrações; a harmonia então se estabelece. As vibrações luminosas e reguladoras, que lhe são enviadas pelo curador, que as recebe do Alto, restabelecem as vibrações irregulares das doenças. Uma condição favorável é que, na vida privada, a consciência humana tenha vontade de se abrir ao Princípio Divino, se mostre capaz de receber a vida posta ao seu alcance pelo dom do curador.

Estas linhas revelam o lado esotérico todo-poderoso da mediunidade curadora, justificam a confiança que podem por os aflitos em suas possibilidades e encorajar os que querem consagrar a sua vida a esta nobre causa de seguir para diante.

Mas, já que citamos o dr. Bertholet, creio oportuno dar aqui sua opinião particular autorizada em resposta a certos detratores que, diante de curas notáveis, obtidas em todos os tempos, pelos curadores, sustentam, com um dogmatismo que não devia existir mais nesta época, que a causa de tais "milagres" não deve ser buscada em outro lugar que na sugestão ou auto-sugestão, o que é um erro.

Extraímos das págs. 40/1, da citada obra, o seguinte trecho:

"Em todos esses casos, a explicação de cura pelo fator único da sugestão ou da auto-sugestão é demasiadamente simplista; é preciso deixar esse joguinho à estreita ciência materialista do século passado e agora que, pelos estudos metapsíquicos modernos, redescobrimos as faculdades tão maravilhosas do homem e de seu duplo etérico, tais como já as conheciam os Iniciados dos antigos Templos da Índia e do Egito, deve-se ser um pouco menos incisivo e afirmativo nas explicações demasiadamente materialista dadas, até o presente, pela Ciência, para explicar as curas obtidas pelos místicos".

Assim, a faculdade curadora, verdadeiro benefício para aquele que, tendo-a merecido, a possui e a pratica com humildade e desinteresse, é um estado superior, uma recompensa de todos os instantes. É o que demonstra em suas belas lições, José Lhomme. Também é com um coração fraterno que eu auguro a mais ampla difusão ao seu "Livro do Médium Curador", certo de que esta obra sé pode justificar os fins ao mesmo tempo científicos e consoladores do Espiritismo de Allan Kardec e de Léon Denis, eminentes e probas figuras de uma época que, de nossa parte, não poderíamos nunca esquecer.

Hubert Forestier

Diretor da Revista Espírita, de Paris

Ex-Secretário da União Espírita Francesa

Ex-Vice Presidente da Federação Espírita Internacional

Prefácio da edição brasileira

No momento em que ilustres patrícios e estrangeiros se empenham, inutilmente, com o título de Parapsicólogos, em arrasar os fenômenos espíritas, fenômenos que demonstram cientificamente, na, base dos fatos, a existência do espírito imortal, ligado temporariamente à carne e posteriormente livre, pela desencarnação, na vida do Além, no plano ou planeta a que fizer jus, é com grande satisfação que apresentamos ao nosso público ledor este livro simples e maravilhoso do bom, simpático e competente espírita belga José Lhomme - O Livro do Médium Curador - que nos inicia e nos guia na nobre missão de servir e curar o nosso semelhante, tal como fez Jesus Cristo, o Grande Curador.

Temos acaso a pretensão de segui-lo? Cremos que sim, pois o temos por Guia e Mestre e não disse o próprio Jesus Cristo que viriam outros após ele que fariam maiores prodígios?

Deus fez leis iguais para a humanidade inteira. Se não nos esquecemos das curas do Padre Antônio, de Urucânia, e do Padre Eustáquio, de Poá, do mesmo modo não olvidamos as curas do brasileiro José Arigó, do inglês Harry Edwards, do filipino Tony Agpoa e outros. E acaso não está a História Cristã dos primeiros tempos repletos de curas espirituais?

Bem sabemos que esses Parapsicólogos, no fundo materialistas, seguem erradamente o Dr. J. B. Rhine, o qual sem proceder como o Dr. Charles Richet que buscou fugir à realidade quando vivo, para em carta ao Professor Ernesto Bozzano, pouco antes de falecer, se declarar errado, ainda encontrará o seu Waterloo.

Como São Lucas é o Patrono dos Médicos, vamos, a título de ilustração, extrair do "Evangelho segundo São Lucas", parte integrante da "Palavra Divina", que não pode ser contestada, os seguintes casos de cura:

Cap. 4, vers. 33 - cura de um endemoninhado

Cap. 4, vers. 37 - cura da sogra de Pedro

Cap. 5, vers. 12 - cura de um leproso

Cap. 5, vers. 17 - cura de um paralítico

Cap. 6, vers. 6 - cura de um homem que tinha uma das mãos mirrada

Cap. 8, vers. 26 - cura do endemoninhado gadareno

Cap. 9, vers. 37 - cura de um jovem lunático

Cap. 13, vers. 10 - cura de uma mulher paralítica

Cap. 14, vers. 14 - cura de um hidrópico

Para que eles não nos digam agora que todas foram curas de males físicos, lembramos que os casos das curas narradas nos cap. 4 vers. 33, cap. 8 vens. 26 e cap. 9 vers. 37, foram de curas claramente espíritas, porque Jesus Cristo expulsou "espíritos imundos" de doentes mentais, isto é, espíritos esses que os espíritas chamam de "espíritos obsessores". Se tudo isto não é verdade, a "Palavra Divina", consubstanciada nos Evangelhos, perde o seu atributo de "Divina", para ficarem os seus fatos ao sabor da explicação dos sábios da Parapsicologia.

Já foram tentadas mil hipóteses para explicação dos casos espíritas, mas nenhuma delas os abrangeu integralmente, porque contra fatos provados não há argumentos e sempre ficava muita coisa por explicar.

Que tenham, pelo menos, a coragem de ler as preciosas obras de nosso querido médico patrício Dr. Ignácio Ferreira, de Uberaba, MG, entre as quais os dois volumes admiráveis de "Novos Rumos à Medicina" ou então o grosso volume do médico sueco, naturalizado norte-americano, Dr. Carl A. Wickland, sob o título Thirty years among the dead (Trinta Anos Entre os Mortos), formidável obra de que eu possuo os direitos de tradução em língua portuguesa, já pela metade traduzida.

A ânsia de arrasar os fenômenos espíritas é mesmo tão grande que se chegou a "exumar" e "mudar o nome" da obra de René Sudre, pulverizada em 1926 (note-se bem o ano) pelo Professor Ernesto Bozzano, em sucessivos artigos em La Revue Spirite, de Paris, sob o título de "A Propósito da Introdução à Metapsíquica Humana", que reduzidos a volume, já teve duas ou três edições em nossa língua. E, como se não bastasse, trouxe-se a reboque, editada em 1954, a "Parapsicologia" de Robert Amadou que, com o seu negativismo ou antiespiritismo liquidou com o órgão do Instituto Metapísquico Internacional, com sede em Paris, que teve como seu primeiro Presidente, no período de 1919/1924, o saudoso médico espírita francês Dr. Gustavo Geley, autor de obras notáveis.

O Espiritismo na França, depois do muito que fez o Sr. Pierre Gaetan Leymarie, após o passamento de Kardec, teve o seu Mecenas no Sr. Jean Meyer, que, em 1923, comprou o imóvel situado à Rua Copernic n.° 8 (XVI°), que serviu de sede para a Federação Espírita Internacional, a União Espírita Francesa e os serviços de La Revue Spirite e Les Êditions Jean Meyer, dedicadas exclusivamente à publicação de obras espíritas, e, anos antes, o da Avenida Niel n.° 89 (VII°), também em Paris, o qual serviu para o Instituto Metapsíquico Internacional e o seu órgão La Revue Métapsychique.

La Revue Spirite, fundada em 1858, por Allan Kardec e por ele dirigida até 1869, ano da sua desencarnação, sempre teve verdadeiros espíritas em sua direção, agüentou todas as vicissitudes das duas grandes guerras, e continua, como até hoje, brilhante e serena, sob a competente direção do Sr. Hubert Forestier, agora Cavalheiro da Legião de Honra.

Já o Instituto e o seu órgão La Revue Métapsychique não tiveram a mesma sorte. Com o falecimento de seu 1.° Presidente, o Dr. Gustavo Geley (1919/24), que pereceu num desastre de avião de Varsóvia para Paris, caíram nas mãos do Dr. Eugène Osty, que os dirigiu à moda do Dr. Richet, isto é, sem querer enfrentar a realidade dos fatos, no período de 1925/38, para finalmente cair nas mãos do Dr. René Warcollier, engenheiro-químico, que talvez pela maneira por que conduziu o Instituto, tendo o Sr. Robert Amadou como redator-chefe de La Revue Métapsychique, ocasionou uma derrocada completa, a ponto de ter o Instituto que vender a sua antiga sede social para adquirir outra, modesta, na Praça Wagran n.° 1 (VII°), sendo possivelmente dispensado do cargo de redator-chefe, pela sua afugentadora orientação antiespírita, o Sr. Amadou, como tudo pode ser lido na pág. 4 dos ns. 31/32, de Set/Dez de 1954, de La Revue. Homem ilustre e inteligente o Sr. Amadou, mas defensor de uma causa ingrata.

O mesmo Sr. Warcollier, ao apreciar, no supracitado n.° de La Revue Métapsychique, pág. 164 La Parapsychologie, do Sr. Robert Amadou, Paris, Danoêl, 1954, escreveu o seguinte: Robert Amadou emploie le mot "Parapsychologie" dans le sens de "Métapsychique Expérimentale". C'est certainement une definition incomplète car les recherches avec 1'infra-rouge sont bien expérimentales. D'autre part, la "Parapsychologie" ne couvrirait pas le innombrables faits spontanés qui sont à 1'origine des recherches psychiques: rêves prémonitoires, apparitions, poltergeist, etc.

Isto, em português bem simples, quer dizer o seguinte: "Robert Amadou emprega a palavra "Parapsicologia" no sentido de "Metapsíquica Experimentar". É certamente uma definição incompleta, porque as pesquisas com o infravermelho são bem experimentais. De outra parte, a "Parapsicologia" não cobriria os inúmeros fatos espontâneos que estão na origem das pesquisas psíquicas: sonhos premonitórios, aparições, poltergeist etc.".

Quem não sabe que há sonhos premonitórios tidos com semanas e até meses de antecedência? Quem não sabe, como diz a "Palavra Divina", que o espírito sopra onde e quando quer? E poltergeist, que designa, em alemão, o espírito turbulento ou brincalhão, que se manifesta tanto à noite como de dia claro, virando uma casa quase de "perna para o ar?" E neste singelo "etc." quantos casos estão contidos, O próprio Warcollier, na pág. 163, refere-se a vários deles, positivos e atestados por eminentes personalidades do mundo científico e literário, omitidos por Amadou, em sua obra!!!

E, como grave advertência aos Parapsicólogos religiosos que parecem não pensar bem no que fazem, transcrevemos da pág. 167 ainda as seguintes palavras do Dr. Warcollier: "II lui est facile de démontrer que la Parapsychologie n'est d'aucun intérêt pour le Mystique, qu'elle n'apporte aucun appui à la Religion vraie, que comme toute science, elle côtoie le Bien et le Mal", o que, traduzido, quer dizer: "É fácil demonstrar que a Parapsicologia não é de nenhum interesse para o Místico, que ela não traz nenhum apoio à Religião verdadeira, que, como toda a ciência, costeia o Bem e o Mal". Isto quer dizer que a Parapsicologia é uma arma de dois gumes: com a ânsia de destruir o espírito imortal, que vive temporariamente no corpo humano, acabaria por destruir, se pudesse, os princípios sagrados de nossa Religião Cristã.

Queremos ver um só Rebanho com um só Pastor, mas com a Verdade, e lembramos, de passagem, que o túmulo, no cemitério do Père Lachaise, em Paris, de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, que se chamou realmente Hyppolite Leon Denizard Rivail, é o mais florido e o mais visitado de todos, o que é bem significativo.

Francisco Klors Werneck

Introdução

Esta obra é um guia destinado às pessoas de coração que desejam ardentemente colocar-se a serviço da humanidade para o que há de mais nobre, de mais elevado e de mais belo: o alívio dos sofredores e a cura das enfermidades.

Elas, na maior parte, já estão convencidas, por sua experiência, em matéria psíquica ou espírita, da realidade de um fluido que age sobre os sensitivos.

Muitas vezes assistiram à incorporação mediúnica no curso da qual uma entidade fazia o médium experimentar as dores suportadas por ela nos últimos momentos de sua existência, dores que desapareciam com a descarga elétrica projetada pelo experimentador sobre o médium, às vezes sem ele o saber.

Em outras oportunidades, as manifestações psíquicas da mediunidade faziam-nas presenciar a utilização de uma força que emanava do médium e agia à distância, sem qualquer espécie de contato com os assistentes, com gestos que denunciavam a intervenção de uma inteligência dirigente.

Para essas pessoas um tanto iniciadas na prática do Espiritismo, há em nós e em torno de nós um fluido semimaterial, imponderável, porém real, todavia, que age de um ser a outro, em determinadas condições.

Sua existência é confirmada por uma imensidade de curas obtidas por uma plêiade importante de médiuns curadores.

Para as que duvidam deita última afirmativa, nós lhes pedimos que consultem o nosso opúsculo "O Espiritismo pode curar-nos? Como? Eis as provas!". Elas ali encontrarão uma relação de casos de curas pertencentes não apenas à categoria das neuroses, mas também à não menos importante das afecções orgânicas, e verão igualmente, de um medo sucinto, o emprego das forças de que dispõe a terapêutica psíquica.

Certas da realidade da exteriorização psíquica, as pessoas que aspiram a ser úteis ao próximo, dando-lhes um pouco de sua vitalidade e de seu devotamento, buscam as luzes dos mais velhos que, na maior parte do tempo, lhes expõem o seu sistema pessoal, repelindo, de boa fé, as sugestões ou declarações de seus colegas.

Em tais condições, o novato tem muito trabalho em equilibrar-se no meio de numerosas afirmações senão contraditórias pelo menos diferentes em seus princípios.

Na realidade, todos os métodos são bons em conjunto, mas na maioria são incompletos e inoperantes segundo os próprios enfermos a que se destinam.

É assim que um médium curador dirá que ele cura unicamente pela fé, isto é, que, para ser auxiliado, o doente deve possuir, desde o começo do tratamento, a mais completa confiança em si mesmo e em sua doutrina.

Tal sistema, ainda que excelente, mostra-se logo ineficaz para os doentes céticos. É como se pedisse a um necessitado de um empréstimo de dinheiro que depositasse em um banco uma garantia suficiente.

Responder-se-á que Jesus só curava pela fé, mas se esquece de dizer que o ascendente moral de Jesus sobre o povo era considerável, que a fé citada nos Evangelhos era provocada ou exaltada por fenômenos físicos e intelectuais prodigiosos: a pesca milagrosa, o andar sobre a água, a ressurreição de Lázaro, etc.

De outra parte, não disse Jesus: "Alguém me tocou, porque eu senti que uma força saiu de mim".

Há, portanto, algo mais além da fé. Com efeito, se consultais um curador de uma tendência diferente, ouvi-lo-eis dizer que ele não recorre senão à prece e à imposição da mão sobre a fronte do paciente, forma de magnetismo reduzido à sua mais simples expressão.

Um terceiro, ao contrário, não fará nenhum toque e operará à distância pelo pensamento.

Um outro já agirá por meio de passes magnéticos e água magnetizada.

Enfim, os adeptos da Ciência Cristã só recorrerão ao pensamento coletivo, formando um bloco fluídico importante dirigido sobre o enfermo pelo presidente da reunião.

Como se vê, será bem difícil para um principiante, levando-se em conta a sua incompetência, fazer uma escolha do melhor método.

Durante todo o tempo ele se fiará em uma vaga intuição e trabalhará provavelmente assim a vida inteira com a idéia arraigada de que não se pode fazer melhor.

Na realidade, entretanto, os diferentes métodos, que aqui esboçamos, fazem parte de um método geral que os engloba a todos e ao qual o futuro curador poderá recorrer conforme o seu temperamento físico e as suas aspirações.

Resumindo a questão, a presente obra dispensará o médium curador de fazer a sua documentação, recorrendo ao estudo de numerosos volumes, pois as noções, que aqui se acham reunidas, são suficientes, cremos nós, para fazer-se um bom trabalho.

Possam os nossos leitores utilizar-se bem delas, para maior proveito da humanidade.

1

A necessidade de uma instrução preliminar

Para vencer na vida, não basta apenas ter a vontade de consegui-lo e sim é preciso fornecer a essa vontade os elementos indispensáveis ao bom êxito, isto é, boa saúde e conhecimentos úteis, em vista de obter uma visão bem clara do fim a que se propõe atingir.

Isto serve para o médium curador, cuja missão humanitária exige uma condição suplementar: elevação moral.

Diz Allan Kardec:

"Deve-se observar que a maioria dos médiuns curadores inconscientes, os que desconhecem a sua faculdade e se acham nas condições mais humildes e no meio de pessoas privadas de qualquer instrução, recomendam a prece e ajudam a si próprios orando. Apenas a sua ignorância lhes faz crer na influência de tal ou qual fórmula, com a mistura de práticas evidentemente supersticiosas, de que é preciso fazer o caso que elas merecem".

É por isso que explanamos aqui, o mais sumariamente possível, as noções elementares que darão mais peso e, por tanto, mais autoridade, à ação dos médiuns curadores.

A constituição do homem

Bem pouco numerosos são os enfermos que conhecem alguns rudimentos da doutrina espírita que lhes permitam compreender o trabalho de cura e a associar-se a eles.

É, portanto, essencial que o médium curador, a propósito das circunstâncias que se lhe apresentarão, tenha algumas palavras de explicação.

É bom que saiba, entre outras coisas, que o homem se compõe:

- de um corpo físico, sede das funções orgânicas;

- de um corpo psíquico, que sobrevive ao corpo físico e compreende:

- o perispírito ou veste do espírito (chamado também corpo astral), sede da sensibilidade;

- o Espírito, sede das faculdades intelectuais e morais.

Entre o corpo físico e o corpo psíquico, há o fluido vital que se desenvolve algum tempo antes do nascimento e diminui pouco a pouco com o desgaste das células pela enfermidade ou velhice e desaparece inteiramente com a morte do corpo.

É esse princípio vital que coordena as diferentes manifestações da vida física e constitui em parte os fantasmas dos vivos quando eles se exteriorizam. É o agente de que se serve o médium curador para fortalecer os enfermos.

No decurso de uma forte emoção, durante uma enfermidade, pela prece ou sob a influência de passes magnéticos, o corpo psíquico do indivíduo se exterioriza, às vezes e escorrega, por assim dizer, para fora do corpo carnal, a que fica retido por um cordão fluídico. O que resulta daí é o êxtase, o desdobramento ou o transe mediúnico profundo.

Sob o império da fé e da prece, o médium curador e o enfermo se despojam, em certa medida, de sua veste carnal e estabelecem uma cooperação mais estreita do que sobre o plano material.

É por isso que o médium curador deve sempre reclamar uma poderosa elevação de pensamento na ocasião dos tratamentos aos que a ele recorrem.

2

As causas das provações

Entre as leis que se aplicam a todos os seres durante as suas múltiplas existências, há uma delas que rege as relações entre as inteligências e cria as sociedades espirituais (esferas ou planos) e se denomina: lei da afinidade psíquica.

Ela se afirma cada dia no curso de nossa vida e pode ser definida como segue:

Um espírito é atraído, em razão de sua simpatia, pela natureza afetiva, intelectual ou moral, de um outro espírito (encarnado ou desencarnado).

Nosso ambiente espiritual será então o reflexo de nossa própria mentalidade. Ele se constituirá de espíritos sérios se em nós dominarem o amor ao próximo e o desejo sincero de nos instruirmos e progredirmos.

Ao contrário, se formos frívolos, sensuais ou simplesmente ignorantes, os espíritos inferiores gostarão de nossa companhia e nos cercarão com os seus fluidos grosseiros que, com o tempo, alterarão a qualidade primitiva de nossos fluidos pessoais.

A repercussão de tal estado psíquico não tardará a fazer sentir os seus efeitos perniciosos sobre o organismo.

Muitas vezes, senão sempre, os pensamentos dessas entidades frívolas, apaixonadas ou nefastas se imporão aos nossos, nos impelirão a cometer excessos lastimáveis e às vezes nos dominarão bastante para nos obsedarem realmente.

Vivendo em nosso meio, essas entidades nos vampirizam utilizando a nossa força vital para chegar aos seus fins e, pouco a pouco, sentimos as nossas forças se enfraquecerem consideravelmente. Faltando a vitalidade, nosso corpo fica então incapaz de reagir contra os golpes do mal (micróbios, desordem física, influência espiritual inferior), de combatê-los e a enfermidade se instala em nós.

A lei da justiça imanente

Se quisermos conhecer as causas profundas dos nossos sofrimentos atuais, é preciso evocar aqui a presença de uma lei de justiça imanente, cujos fundamentos se enraizaram no decurso de nossas vidas anteriores.

Ela faz parte de nosso ser e regula o nosso destino, exerce-se pela via de causa e efeito e seria fatal se não fosse temperada por uma outra lei de natureza social: a ler do amor.

Para compreender isto, é necessário admitir que as imagens de todos os nossos pensamentos, boas e más, ficam gravadas e fotografadas em nosso subconsciente e dão ao perispírito uma aparência que se modifica sempre no decurso de nessa evolução.

Essas imagens-pensamento são vibrações. Não são nunca idênticas, porque há sempre móveis e circunstâncias que as diferenciam.

Resulta de tal fato que não se podem misturar, nem se destruir. As recordações delas não se poderão apagar porque a alma, que as percebe, não está isolada no Infinito. Fagulha da grande Alma Universal, a sua memória tem prolongamento na memória cósmica ou divina, que é um atributo da vida.

Quanto mais se esforça a alma por praticar atos bons, estar de acordo com o amor universal, tanto mais as suas vibrações se tornam sutis e mais o seu meio ambiente se purifica e lucifica.

É então, de nosso interesse, descartar-nos de nosso pesado egoísmo, dando sempre mais importância aos nossos pensamentos elevados, que aliviarão a nossa alma e lhe permitirão libertar-se da reencarnação em mundos inferiores e subtrair-se aos sofrimentos que ela comporta.

Insensíveis aos apelos do Invisível que os aconselha a voltar os seus olhos para o Alto e a escutar a voz que lhes diz: Amai-vos uns aos outros, os refratários continuarão incansavelmente a sua ronda infernal.

Perseguidos pela aplicação inexorável da Justiça Divina, eles errarão, como feras encurraladas, em busca de uma felicidade inacessível até que, esgotados, martirizados, tombam no caminho pedregoso da vida material para se acharem, enfim, em um outro mundo e ouvirem dizer: Fechastes os olhos à luz e os ouvidos à minha voz.

Lá ainda terão que suportar as conseqüências das suas faltas e essa queda seria eterna se, sustentados pelos pensamentos confortadores das almas evoluídas, não voltassem atrás e penetrassem valentemente no caminho do arrependimento e da reparação.

Podemos dizer, em suma, que:

- a lei das afinidades nos liga aos nossos semelhantes.

- a lei da justiça divina nos reforma.

- a lei do amor nos sustenta.

A linha de conduta espírita

I - Ser calmo e ponderado:

II - Ajudar o próximo com todas as forças.

III - Usar, mas não abusar, dos bens materiais.

IV - Não julgar o semelhante, pois só Deus conhece os móveis secretos que o faz assim agir.

V - Não impor a ninguém o seu modo de compreender a vida e respeitar o de outrem. Ele faz sua própria experiência.

VI - Esclarecer o próximo e ser indulgente.

VII - Lembrar-se de que a vida de um homem não lhe pertence. Ser discreto.

VIII - Recordar-se de que o seu pensamento é uma força que fere ou cura.

IX - Não se esquecer de que um mau pensamento finalmente se vira contra quem o projeta.

X - Não pensar no mal, porque quem é realmente bom não deve temer e, se não o for, procurar melhorar.

Confiar, durante a desgraça, na Providência Divina, que quer o seu adiantamento espiritual.

XII - Repousar tranqüilo quando o seu trabalho for meritório.

XIII - Lembrar-se de que o sofrimento é para fazê-lo compreender melhor a infelicidade dos outros.

XIV - Não rejeitar a provação, dizendo: "Meu Deus, dai-me força para suportá-la", pois, com a sinceridade, ela não prevalecerá.

XV - Ser humilde e compassivo.

XVI - Orar.

XVII - Ajudar-se, porque o Alto o ajudará.

Os escolhos do principiante

Emotividade exagerada

Os temperamentos ultra-sensíveis se emocionam profundamente quando se acham em face de pessoas feridas por provações cruéis.

Seu sistema nervoso vibra exageradamente sob o choque de uma emoção e não permite uma exteriorização normal do fluido vital.

Tal nervosismo provém muitas vezes de um sentimento íntimo de fraqueza e de uma falta de confiança na sabedoria divina.

Um médium curador deve considerar bem que todas as provações que nos afligem têm um fim útil e são a conseqüência de uma tara anímica muitas vezes imperceptível no instante do enfraquecimento psíquico provocado pela moléstia ou a aflição. Levantai a provação antes que o interessado tenha compreendido as razões dela e a sua verdadeira personalidade reaparecerá com todas as suas tendências inferiores e todos os seus defeitos.

Orgulho

O principiante, entusiasmado por uma fé exagerada, oriunda de curas maravilhosas, pensa que basta imitar certos gestos, de repetir bonitas palavras e esforçar-se por operar prodígios.

Ele ficará surpreso com a sua incapacidade, cairá na dúvida e no desapontamento e se aperceberá, então, de que conhecimentos e elevação espiritual são necessários para merecer uma assistência indispensável.

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O médium curador

Comportamento - Regime Alimentar - Gênero de vida - Marcha - Respiração

Comportamento

A primeira vista poder-se-ia crer que é supérfluo falar do comportamento do médium curador.

Acontece, entretanto, que médiuns, que se arrogam a missão de aliviar e curar, se esquecem deste ponto essencial sob o pretexto de que a espiritualidade reclama dos crentes um desprendimento profundo do que é material.

Todavia, a espiritualidade não implica o abandono do princípio de ordem que rege o universo inteiro como indivíduo e é a base de toda ação bem organizada. E a ordem não é também o asseio, o cuidado corporal, a exclusão de todo exagero e toda fantasia deslocados?

No decurso dos tratamentos magnéticos muito especialmente, não é, com efeito, desagradável a todo o mundo sentir o odor acre do fumo ou ter a face roçada por uma mecha de cabelos teimosos, úmidos de suor?

Nas associações inglesas, não é raro verem-se médiuns curadores vestidos, para os tratamentos, com jalecos de enfermeiros, cuja frescura predispõe os enfermos à confiança.

Um outro costume excelente, que repousa sobre uma base empírica séria, quer que certos médiuns "descarreguem" as mãos, lavando-as sumariamente com água limpa, antes da cada operação magnética.

É preciso ver nisto uma preocupação em favor do médium e do enfermo, porque é fato reconhecido que fluidos nocivos, atraídos pelas mãos do médium curador, aí fiquem aderidos por certo tempo e podem indispor um órgão delicado e serem transmitidos a outros enfermos.

Nas sociedades organizadas, tais recomendações são comumente aplicadas e só podemos felicitar os médiuns curadores que não se esquecem deste detalhe que tem, portanto, a sua importância.

Regime Alimentar

O regime alimentar do médium curador é o de de qualquer homem sóbrio e moderado. Tanto quanto possível, a menos que as suas ocupações manuais não o permitam, fará bem em seguir um regime alimentar sem excessos, mas principalmente na primavera e no outono.

Durante o ano inteiro, será proveitoso comer peixe, favorecendo a emissão do fluido vital.

Sua alimentação terá por base: ovos, leite, frutas, legumes verdes, evitando a couve, a cebola e a maior parte dos feculentos, bem como as carnes fortes e os temperos.

Gênero de Vida

As fadigas excessivas e prolongadas, assim como os amores sexuais, deixam o médium sem forças. Tanto quanto possível, o trabalho intelectual deverá alternar-se com o trabalho corporal.

Enfim, o médium curador deverá manter-se com uma disposição de espírito calma e benévola. Um homem colérico ou "ardoroso" jamais será um bom curador.

Abster-se-á igualmente de todo excitante, como o álcool, o fumo ou os estupefacientes: ópio, morfina e cloral.

Em caso de fadiga psíquica, o médium curador recorrerá a uma caminhada a grandes passos, com o peito distendido, ao ar livre, de preferência em um local repousante e arborizado, porque é preciso não se esquecer de que o ar puro forneça o oxigênio, que é a fonte da vida e regenera as células organismo vivo. É o elemento de combustão que procura o calor necessário ao bom funcionamento dos órgãos.

A respiração desempenha, portanto, um papel importante na recuperação das forças. É, por conseqüência, muito vantajoso «prender a respirar, isto é, a encher o peito, fazendo manobrar todos os músculos dele e do abdômen e depois expulsar completamente o ar viciado existente nos pulmões.

A aspiração e a expiração se fazem em um ritmo lento de modo a deixar ao oxigênio o tempo necessário para penetrar em todas as cavidades da massa pulmonar e de aí cumprir a sua função.

Além disto, o movimento de vaivém dos músculos do tórax e do abdômen comprime e libera sucessivamente as vísceras, ativa a circulação e permite uma evacuação normal dos resíduos da digestão.

A respiração profunda divide-se em três tempos: aspiração - paralisação - expiração. O segundo tempo (paralisação) deverá progressivamente aumentar em duração, mantendo-se a boca fechada. As narinas se dilatam, depois se contraem.

Durante cada sessão de ginástica respiratória, o número de movimentos respiratórios irá de 10 a 25, sem repouso. Os primeiros ensaios serão no começo fatigantes, mas logo dificuldades desaparecerão pouco a pouco e não se tarda a experimentar um sentimento de calma que é acompanhado de uma soma importante de força física e moral.

Segundo H. Durville em "O Magnetismo Pessoal ou Psíquico" — "desde os primeiros exercícios, o olhar ganha firmeza, o coração enche-se de esperança, as forças aumentam, a energia cresce, a atividade redobra e as afecções do coração, dos pulmões, do estômago e dos intestinos melhoram. O mesmo dá-se com as perturbações nervosas e sangüíneas. As idéias fixas e obsedastes desaparecem".

O Enfermo

Quando um enfermo procura um médium curador é porque muitas vezes já foi abandonado pela Ciência. É um indivíduo no fim de suas forças e esforços, porque ele recorreu, sem resultado, a numerosos médicos, depois de ter experimentado todos os remédios que lhe aconselharam os seus amigos. Ele tem o corpo alquebrado e os órgãos intoxicados.

Indo de mal a pior, perde a coragem e finalmente sai em busca de um médium curador.

Trata-se, então, de lhe dar esperança, de despertar nele a fé em um poder soberano, dispensador e ordenador da vida;

Deus! Atinge-se o fundo de sua consciência e é por lá que é preciso começar.

Convém então fazê-lo compreender que o seu gênero de vida e o seu caráter influem consideravelmente sobre o seu estado.

Deve-se-lhe expor uma doutrina simples, facilmente acessível, que lhe abrande os sentidos, acalme as apreensões e os escrúpulos, dando-lhe uma convicção íntima de que há acima de nós forças transcendentais e inteligências das quais se pode esperar uma assistência eficaz.

Ao mesmo tempo, o médium curador deve merecer a confiança do enfermo, manifestando uma boa vontade inabalável e devotada, que não reclame nenhum agradecimento, nenhum reconhecimento, nenhuma contribuição interessada.

A segurança no seu trabalho se imporá ao paciente, que reconhecerá nele certa experiência calcada sobre conhecimentos práticos e teóricos indispensáveis.

Os remédios

Durante o tratamento, parece que o emprego de remédios é contrário ao desenvolvimento normal da cura. Segundo M. Decrespe em "Magnetismo, Hipnotismo, Sonambulismo":

"Eles modificam a composição do corpo sobre o qual o magnetizador quer agir pela emissão da corrente de força nervosa que projeta.

Se, em um banho galvânico para douração, por exemplo, derrama-se mercúrio, tem que se projetar a corrente elétrica porque sem ela o depósito de ouro não se formará; se, em um organismo enfermo, faz-se entrar morfina, por exemplo, as correntes do magnetizador não poderão vencer a inércia acumulada nas moléculas enfermas pela introdução do estupefaciente.

Como se pode julgar facilmente pelo que precede, será então inútil procurar o magnetizador se não se decidiu a fazer tudo o que ele lhe disser e ir até o fim do tratamento; é mesmo perigoso porque pode acontecer que as correntes de força postas em jogo pelas primeiras magnetizações não possam seguir a sua marcha normal e produzam a dor, sem que os esforços médicos sejam eficazes para combatê-la".

O que é verdade para o magnetizador também o é para o médium curador.

Decorre daí que é aconselhável suspender temporariamente o uso dos remédios durante os tratamentos e isto por um tempo suficientemente longo que permitirá ao enfermo perceber o efeito produzido pela cura. Esse tempo variará segundo a vontade do enfermo, conforme o seu grau de resistência e a urgência do socorro a prestar-lhe.

Não se pretende pronunciar-se aqui sobre a incapacidade da Ciência médica que tem feito e produz ainda verdadeiras ressurreições.

Ciência e espiritualidade não são contrárias por definição. É a intransigência de uma e de outra que as coloca face a face, em campos opostos.

No campo científico, notadamente entre os médicos, há muitas inteligências, bem conscientes, que fazem de sua profissão, particularmente ingrata, uma idéia altamente humanitária e comovedora.

No caso que nos ocupa, serão as próprias circunstâncias que ditarão uma linha de conduta ao enfermo, que o médium curador fará bem em respeitar escrupulosamente.

Depois de haver esclarecido o paciente sobre o que se espera dele, o médium curador não pode impor-se mais. É prudente aguardar a sua boa vontade, pois se é verdade que "todos os doentes desejam sarar, bem poucos querem sarar. É preciso tratá-los, mesmo contra a sua vontade. Nenhum milagre poderá esperar-se desses doentes teimosos e o mais prudente, no seu interesse, é deixá-los com os seus sofrimentos desejados até que fiquem cansados deles e resolvam fazer o que é preciso. Continuando a tratá-los, arrisca-se o curador aos mais desagradáveis insucessos e, o que é pior ainda, a mantê-los em um estado de indecisão mais perigoso para eles do que a doença propriamente dita" (Decrespe, ob. cit.).

Seria bom, desde então, morigerar o enfermo. Praticai a seu respeito à política liberal de porta aberta, mas, por favor, não o forceis a entrar nela. Cedo ou tarde ele emendar-se-á de seus erros.

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A gradação das faculdades curadoras

1 - Magnetizador (vitalizador ou mumificador)

2 - Magnetizador automata

3 - Magnetizador sensitivo

4 - Magnetizador psicômetra

5 - Magnetizador dotado de clarividência áurica (visão da aura do enfermo e diagnóstico)

6 - Clarividência espírita, empregada particularmente nos casos de obsessão

7 - Clarividência médica (visão dos órgãos enfermos)

Um mesmo médium curador pode possuir diversas faculdades psíquicas.

Na medida de seu adiantamento, ele abandonará cada vez mais o magnetismo animal, submetido à sua vontade, para entregar-se ao de seu guia espiritual, que lhe dirigirá as mãos e o inspirará.

Como sempre, as declarações do enfermo deverão, a todo o momento, confirmar as suas indicações tanto do ponto de vista dos sofrimentos suportados pelo doente quanto as da clarividência psíquica ou espírita.

Tal maneira de operar servirá, de qualquer forma, de bússola e o impedirá de cair em erro.

A Aura Humana

De acordo com os clarividentes, o ser psíquico não está inteiramente contido no organismo humano. Ele o ultrapassa em alguns centímetros e às vezes mais.

A parte que se estende além do corpo físico chama-se aura, que é mais importante entre os ascetas e os contemplativos do que entre as pessoas de tendências materiais pronunciadas, em razão da reserva de energia que os primeiros detêm por causa da concentração e elevação de seus pensamentos, da economia vital produzida pelo seu gênero de vida e muito provavelmente ainda pela sua alimentação vegetariana ou de pouca quantidade de carne.

A Aura

A atividade orgânica dos glutões e gozadores reclama a quase totalidade das forças psíquicas disponíveis, donde se origina a sua fraca influência magnética.

A aura é percebida pelos sensitivos dedicados a este gênero de observações, aproveitável a mais de um título. Ela lhes aparece com uma espuma leitosa que é colorida segundo a qualidade das aspirações do indivíduo.

Para certos observadores, a aura só é visível quando a pessoa está colocada na mais completa obscuridade.

Para os videntes, as significações das cores são as seguintes:

branco — pureza

ouro — calma

verde — inteligência e saber

amarelo — poder cerebral

malva — benevolência

azul — busca da verdade

pardo — depressão mental

cinza — desespero

preto — animalidade

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Os próprios pensamentos se traduzem por movimentos retilíneos ou turbilhonados, sendo estes últimos provocados por uma agitação mental própria da cólera e das paixões. Constituem centros de vitalidades excessivas e provocam desordens congestivas no organismo.

Certa falta de brilho denota, de outra parte, uma falta de vida e é um indício de enfermidade, de degenerescência, como o câncer.

Tais indicações são suficientes para orientar o médium curador clarividente sobre o significado do que ele poderá entrever no exercício de sua missão, e o completará talvez por observações pessoais. Todavia, antes de valer-se destas notas, deverá, conscienciosamente, pô-las à prova, aplicando-as a outros casos iguais.

Em resumo, quando o corpo está de boa saúde, a aura se acha levemente azulada e estriada de raios retilíneos.

Nas vizinhanças das partes enfermas, os raios se esfumam, turbilhonam, se entrecruzam ou se enfraquecem simplesmente como as pétalas de uma flor murcha.

O magnetismo

Por que falamos em magnetismo?

Por que?... Primeiramente porque nos dirigimos a principiantes e queremos permitir-lhes, na expectativa do desenvolvimento de suas mediunidades, a obtenção de excelentes resultados.

Em segundo lugar, porque tudo é magnetismo na natureza: os astros obedecem às leis da gravitação universal, os seres e as coisas se atraem ou se repelem segundo a lei da afinidade.

Há:

um magnetismo mineral (imã);

um magnetismo vegetal (polarização das plantas);

um magnetismo animal, comum a todos os seres vivos; um magnetismo humano superior aos outros magnetismos, porque é ativo e submisso à vontade do indivíduo;

um magnetismo espiritual, enfim, completamente liberado da polaridade material e cujos efeitos são extremamente variados e poderosos.

É pelo pensamento que o homem pode dar ao fluido vital qualidades boas ou más, segundo a natureza e o valor dos pensamentos que os provocam e dirigem,

Por sua ação desinteressada e moral, ele se eleva pouco a pouco para o plano espiritual e obtém, mesmo à sua revelia, a assistência de uma entidade superior que adquiriu, pelo seu trabalho e a sua elevação, uma certa competência na matéria.

O conhecimento do magnetismo humano é, pois, indispensável aos principiantes, porque ele os impedirá de cometer erros lastimáveis e de bater com os pés no chão.

O indivíduo que não puder entregar-se, por motivos diversos, à prática da mediunidade de modo geral, poderá ajudar os seus familiares quando a saúde deles estiver abalada. Assim, o pai da família cuidará da mãe; na sua falta a mãe levará seus cuidados aos filhos e o mais capaz destes aliviará, por sua vez, seus irmãos, suas irmãs e seus amigos.

Que é magnetismo?

Magnetismo é a ação recíproca que os corpos exercem ou podem exercer uns sobre os outros. (H. Durville).

Magnetizar é dirigir o fluido vital, por um esforço de vontade, sobre um objeto ou uma pessoa.

Principio de Base

No começo de seu "Tratado Experimental de Magnetismo", o apóstolo do magnetismo H. Durville diz:

"No indivíduo são e bem equilibrado, pode-se admitir que a tensão magnética é normal. Em todos os casos, se essa tensão é aumentada, produz-se um aumento da atividade orgânica; se, ao contrário, é diminuída, a atividade orgânica diminui e, em ambos os casos, o equilíbrio funcional se rompe. Não é sempre assim nos enfermos, porque é fácil compreender que, aumentando a tensão onde ela está diminuída e a diminuindo onde ela está muito considerável, levam-na pouco a pouco ao seu estado normal e o conjunto das funções orgânicas retoma o equilíbrio que constitui a saúde, com a condição, todavia, de que os órgãos essenciais à vida não sejam muito profundamente alterados.

"Tal princípio constitui a base de toda a terapêutica do magnetismo".

Acrescentamos a isto que, se a quantidade e a qualidade dos fluidos fornecidos, e se o acordo psíquico feito entre o enfermo e o magnetizador podem desempenhar um papel determinante nas curas, compreender-se-á por qual razão um magnetizador obtém sucesso lá onde um outro fracassou.

O Fluido Vital

No decurso das experiências mediúnicas com elementos muitos sensitivos, fácil é verificar que numerosos pacientes são sensíveis a uma espécie de emanação que se exterioriza à vontade das mãos do magnetizador e desempenha o papel de excitador mediúnico.

Passes com a mão direita sobre a cabeça e o braço direito estabelecem, de ordinário, uma corrente de forças acompanhada de reflexos no corpo do paciente e especialmente ao longo do trajeto seguido pela mão do experimentador.

A colocação das pontas dos dedos da mão direita a dez centímetros da nuca provoca muitas vezes um choque nervoso bastante violento no médium despreocupado e não prevenido. Essa reação inconsciente demonstra claramente a realidade de uma ação psíquica à distância.

Pode-se variar as experiências que demonstram que um ser humano pode, a seu gosto, porém em dadas condições, dar livre curso a uma força invisível, um agente sutil.

Mas o espírito científico ultrapositivo de nosso século não se contenta com simples alegações empíricas e exige uma multidão de experiências sempre mais probantes, que existem se quiserem dar-se ao trabalho de tomar conhecimento delas em obras especializadas, dentre as quais citamos "As Radiações Humanas" de Raoul Montandon. Verão ali que a realidade da exteriorização psíquica é confirmada pelo:

1º - o estudo dos eflúvios magnéticos por meio de uni sonâmbulo posto em estado de clarividência;

2.° - a visão da aura psíquica do indivíduo;

3.° - o efeito mecânico dos fluidos mediúnicos sobre objetos que deslocam à distância e sem contato;

4.º - a materialização de uma entidade psíquica;

5.º - os efeitos do magnetismo sobre os seres vivos: o homem, o animal, a planta;

6.° - as radiações psíquicas sobre a chapa fotográfica e sobre certos aparelhos de uma extrema sensibilidade, com base na técnica radiofônica.

Ação do pensamento sobre o fluido humano

Pensamos que as indicações, que acabamos de dar aos médiuns curadores, servirão no estudo dos casos que se apresentarão à sua observação. Entretanto, devemos confessar que todos os magnetizadores não admitem a polaridade humana sob o pretexto de que o pensamento dá ao fluido os elementos de calma ou de excitação que eles desejam obter.

Em apoio desta afirmativa, notamos, de passagem, que os invisíveis dão ao fluido mediúnico exteriorizado a forma, a cor, a densidade, a direção, as propriedades que eles lhes desejam imprimir.

As sessões de efeitos físicos (e aí está a sua utilidade) provam que os espíritos "trabalham" os fluidos do médium com o auxílio de seu pensamento e de sua vontade. Eles formam assim o corpo e os objetos de que têm precisão para se manifestarem, mas a existência desses é fugaz porque o espírito não é retido por uma atividade orgânica e assim, terminada a sua tarefa, o espírito que opera deve retirar-se e voltar para a vida espiritual.

A Ciência admite hoje a existência de uma matéria elementar única, matéria essa quintessenciada, que dá nascimento a todos os corpos da natureza e que, pelas transformações que suporta, produz as diversas propriedades desses mesmos corpos. Assim, uma simples modificação atômica pode tornar venenosa uma substância salutar.

Duas substâncias inofensivas podem produzir uma terceira nociva. Uma parte de oxigênio e duas partes de hidrogênio formam a água. Ajuntai-lhes um átomo de oxigênio e tereis um líquido corrosivo, como, por exemplo, a água oxigenada.

Outro efeito: uma simples modificação no modo de agregação molecular altera as propriedades físicas de um corpo, e um corpo opaco pode tornar-se transparente e vice-versa, como por exemplo, o vidro.

Estas breves considerações nos dão uma idéia de um fato bem conhecido que é o da modificação das propriedades da água pelo fluido magnético, substância vitalizada que se aproxima mais da matéria cósmica ou elemento universal.

Esse fluido pode igualmente, diz Allan Kardec, produzir um fenômeno análogo sobre o organismo, daí o efeito curativo da ação magnética convenientemente dirigida.

O agente magnético ou fluido vital participa das qualidades físicas e morais do indivíduo.

É um princípio vitalizador, regulador, modificador e equilibrador por excelência.

No médium curador, é ele dirigido por uma entidade benfazeja que lhe dá qualidades especiais em virtude de seus conhecimentos e de sua elevação moral.

O médium curador não é mais do que um instrumento dócil, um condensador de forças e um colaborador de boa vontade.

Ação do fluido magnético

O fluido do médium curador é às vezes lento ao fornecer ao organismo do enfermo a vitalidade de que tem necessidade para lutar contra a moléstia.

Como diz o dr. Alexis Carrel em seu notável livro "O Homem, Este Desconhecido":

"Nenhuma melhora profunda do corpo é obtida de modo rápido. Esse ritmo de utilização, pelo organismo, dos agentes físicos, químicos e fisiológicos, é lento. Não adianta ministrar a uma criança, de uma só vez, grande quantidade de óleo de fígado de bacalhau, porque uma pequena quantidade desse mesmo remédio, dada em cada dia, modifica as dimensões e a forma do esqueleto".

O que é verdade do ponto de vista estritamente material o é também do ponto de vista vitalista. O vitalismo é a doutrina que admite um princípio vital, distinto ao mesmo tempo da alma e do organismo.

Com efeito, as vibrações do fluido vital, não controláveis pelos aparelhos de detecção mais modernos, não têm a potência do choque de certas substâncias radioativas.

Segundo certos pesquisadores, é um bem porque, se o rádio e os raios-X provocam às vezes desordens irreparáveis, o fluido mediúnico, menos forte, é mais assimilável pelo organismo humano, cujas radiações são aparentadas com as do médium curador.

Se, de outra parte, a moléstia é consecutiva a uma influência psíquica ou espírita, a ação do médium curador pode extremamente rápida e a cura fulminante.

Nos casos de exaltação de fé religiosa, um verdadeiro milagre pode-se operar sob os olhos do médium curador.

Qualidade dos Fluidos

Diz Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, que:

"Desde o instante em que os fluidos são o veículo do pensamento, que o pensamento pode modificar as propriedades dele, é evidente que devem estar impregnados das qualidades boas ou más dos pensamentos que se põem em vibração, modificados pela pureza e a impureza dos sentimentos.

Eles se modificam pelos eflúvios do meio em que passam, como o ar pelas exalações, a água pelos sais dos leitos que atravessa. Levam a impressão dos sentimentos que o cercam: ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo etc. São excitantes, calmantes, penetrantes, adstringentes, irritantes, dulcificantes, soporíferos, reparadores etc.

Resulta disto que a purificação do fluido magnético depende da purificação dos sentimentos.

O pensamento humano produz então uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral. É o que só o Espiritismo pode fazer compreender.

O homem o sente instintivamente, pois busca as reuniões homogêneas e simpáticas, onde sabe que pode ganhar novas forças morais".

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Polaridade humana

As experiências de Reichenbach, do coronel de Rochas e de Durville, com videntes sensitivos, demonstram que o corpo humano, como o imã, é polarizado.

O lado direito do corpo, a fronte e a linha média do peito e do ventre são positivos.

O lado esquerdo, a nuca e a coluna vertebral são negativos.

Lei geral

Colocados em presença um do outro, os pólos do mesmo nome (positivo com positivo, negativo com negativo) provocam excitação, aquecimento, força, sono magnético.

Os pólos de nome contrário (positivo com negativo), acalmam, descongestionam.

Algumas aplicações práticas:

1. A mão direita, colocada sobre a fronte ou o lado direito do enfermo, dá uma sensação de calor, de lassidão, aumenta a atividade orgânica, eleva a temperatura, levanta as forças, provoca o sono magnético.

2. A mão direita, colocada na nuca ou ao longo da coluna vertebral, acalma, dá uma impressão de bem-estar, diminui os espasmos nervosos dos órgãos que se acham na mesma altura e são comandadas pelos nervos da medula espinhal.

3. A mão esquerda, no epigástrio (estômago), acalma os espasmos estomacais. A mão direita pode ser ao mesmo tempo colocada em posição oposta ao nível dos rins.

4. Colocado em face do enfermo, de que segura a mão, o curador estabelece uma corrente calmante.

5. Colocando-se por detrás do doente, pode-se operar facilmente no lado direito dele (em posição isônoma) por meio de passes longitudinais.

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A ação magnética

Colocação em estado de relação

Antes de empreender toda ação magnética, é preciso por-se em relação, isto é, estabelecer uma corrente de transmissão fluídica entre o médium curador e o enfermo.

Depois de haver-se desembaraçado de toda preocupação material, o médium curador deve por-se no estado de expansão radiante favorecida pela flexibilidade muscular. Ele deve então querer de um modo contínuo, sem sofreadas nem projeções violentas.

De seu lado, o doente buscará, na calma e no repouso, uma parada física favorável à receptividade.

Relação por contato

O enfermo e o médium curador, estando sentados, repousa o primeiro as mãos em cheio sobre as do médium.

No início do tratamento, essa tomada de contato dura alguns minutos. Finalmente ela se estabelece desde o instante em que o médium curador começa a operar. Ele pode então abandonar o contato, ora tornado inútil.

Para o médium curador, um grande calor nas mãos, um formigar nas pontas dos dedos ou um pouco de suor nas palmas das mãos provam logo que a ação está prestes a desenvolver-se.

De seu lado, o enfermo sente habitualmente comichões ou formigamentos, ou ainda um peso na cabeça, com batidas das pálpebras e bocejos freqüentes.

Acontece às vezes que certos médiuns curadores fazem o contato por uma simples imposição das mãos sobre a fronte.

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Relação à distância

Se o enfermo não estiver presente, a tomada de contato pode dar-se por meio de um objeto que lhe pertença.

Na falta dele, o médium curador dirige o seu pensamento para o enfermo, procurando fazê-lo presente por meio de uma fotografia, se possível.

Esta espécie de trabalho não pode ser empreendida senão por elementos treinados e um pouco clarividentes.

Processos

A ação do médium curador reduz-se a duas ações principais:

a) - dispersão de fluidos malévolos (descarrego)

b) - concentração e aplicação de fluidos benévolos (tratamento)

Para isto os processos são os seguintes: imposição das mãos - passes - insuflações - jato fluídico.

Imposição das Mãos

A imposição das mãos consiste na aplicação destas sobre a fronte (aplicação generalizada) ou sobre a parte enferma.

Em tal momento, o médium roga a Deus o poder de afastar os fluidos malévolos e solicita para isso o auxílio de entidades espirituais que têm essa missão.

Depois disso, o médium curador faz o gesto de sacudir as mãos para trás como se quisesse desembaraçar-se de algo de impuro e continua a imposição. Este é o processo dos terapeutas da Antigüidade.

Segundo Raoul Montandon, em seu prefácio à obra de Théo Matthys "Defesa do Magnetismo", esses seguiam as prescrições de uma longa fórmula que diz em substância: "Colocai a mão sobre o mal e dizei que ele se vá".

Certos curadores afirmam que, pela imposição das mãos, os fluidos levados ou dirigidos pela entidade se espalham por todo o corpo e restabelecem o equilíbrio vital comprometido pela enfermidade.

Para agir assim é preciso ter naturalmente uma fé profunda no êxito e uma vontade que não se detém.

A imposição faz-se habitualmente por cima das vestes e cobertas, se o doente estiver sentado ou deitado. A grossura dos tecidos não impede que a comunicação se estabeleça, razão pela qual é inteiramente inútil mandar o enfermo despir-se.

O médium curador deve, sobretudo, evitar qualquer contato que possa ofender o pudor do paciente e recorrer, se preciso, à presença de um assistente.

A imposição é feita com as palmas das mãos ou as pontas dos dedos, sem tensão ou contração. Ela tem principalmente por fim restabelecer o equilíbrio das forças do enfermo e, nisso, a calma e o fortalecimento.

Prolongada que seja, torna-se excitante se o médium curador for nervoso ou sangüíneo, e é ele que deve sentir quando chegar o momento de parar.

Conforme escreveu o magnetizador A. Cahagnet:

"A imposição da mão sobre a parte enferma faz desaparecer, como por encanto, os ingurgitamentos. Quando a mão assim se detém por dez minutos sobre um ponto inflamado, ela produz o efeito de uma cataplasma, carregando-se de fogo que ganha o antebraço e o cotovelo a ponto de tornar-se insuportável".

Essa impressão desagradável, nós já a experimentamos e bem forte.

E acrescenta o distinto magnetizador:

"É por isso que se recomenda sacudir os dedos em cada imposição e, quando a magnetização estiver terminada, lavar as mãos com um banho de água fresca ou levemente avinagrada".

Muitas vezes o novato crê que a imposição da mão pode produzir-se em alguns minutos e passa, rapidamente, a um outro processo que lhe parece mais expedito. É um profundo erro. No decorrer do tratamento, ele não deve preocupar-se com o que vai seguir, mas, ao contrário, é melhor que se absorva completamente, com toda a calma necessária.

Contato simples ou duplo

Quase sempre o médium curador recorre ao contato simples com a mão direita.

Se ele quiser reforçar o auxílio, pode pousar a mão direita sobre a testa e a esquerda sobre a nuca do paciente ou então segurá-lo por ambas as mãos.

As imposições sobre a cabeça e o peito são excitantes e as que operam sobre os tornozelos são dispersantes e calmantes.

Passes

Os passes consistem em movimentos feitos com as mãos por cima das roupas, ora tocando-as com as pontas dos dedos, ora exercendo uma pressão qualquer com a face palmar das mãos.

De um modo geral, as imposições são congestivas e os passes mais atraentes e movimentados. Estes são longitudinais, transversais ou rotativos.

Passes longitudinais ou vitalizantes

Quando o médium curador toma contato com o enfermo pela cabeça, ele levanta a mão levemente e a desce lentamente ao longo do peito até a cavidade do estômago (epigástrio), com a ponta dos dedos roçando-lhe as vestes.

Na ocasião em que chega ao estômago, sobe com a mão até o ponto de partida, afastando-a do corpo e tendo o cuidado de a fechar para evitar uma corrente contrária. Esses passes devem durar alguns minutos. Em seguida, opera, da mesma maneira, do estômago aos pés.

Depois de cada passe, deve sacudir as mãos para trás.

Passes longitudinais duplos

O médium curador toma contato ao pousar ambas as mãos sobre os ombros do enfermo, depois opera, como dissemos acima, ao longo dos braços, durante alguns minutos. Age, em seguida, do estômago aos joelhos, depois dos joelhos aos pés.

Após cada passe, sacode as mãos, fecha as mãos, afasta-se um pouco do doente, depois recomeça com a mesma flexibilidade e a mesma lentidão.

Descrepe diz que um passe da cabeça aos pés não deve durar menos de trinta segundos. Essa lentidão é indispensável para que os fluidos do magnetizador possam impregnar bem o organismo do enfermo.

Os passes longitudinais podem ser feitos à distância (de cinqüenta centímetros a um metro), de acordo com a sensibilidade do paciente.

Passes transversais ou de descarrego

Os passes são feitos com ambas as mãos, rapidamente e com força, acima da cabeça ou do peito do paciente, impedindo-o de congestionar ou de ficar sob a influência da magnetização, sobretudo se estiver adormecido.

Esse descarrego se aplica também aos membros e às partes enfermas que se quer antes desembaraçar das correntes ou fluidos malévolos.

Ao operar, deve o médium curador pensar que ele arranca ou tira o excedente de forças acumuladas.

Tais passes são aconselháveis quando o enfermo for atingido em um lugar qualquer por um esforço congestivo.

Passes rotativos

Depois da tomada de contato, opera-se um movimento circular, com os dedos dirigidos em ponta sobre a parte enferma.

O efeito é mais enérgico e mais profundo do que o das imposições, mas é preciso ser empregado com prudência.

Insuflações

O sopro age poderosamente. Provavelmente porque, à ação do fluido, se junta a emissão de uma bem grande quantidade de partículas materiais.

Sopro quente

Ele é produzido, com a aproximação da boca do curador junto à parte enferma, sobre um pano dobrado no lugar, encima da roupa ou por meio de um grosso tubo de vidro.

De acordo com certos experimentadores, o sopro quente tem efeito de condensação e não de congestão. O vapor d'água, que acompanha o sopro, facilita a penetração da emanação fluídica.

As insuflações quentes produzem grande efeito sobre as articulações, o alto da cabeça, os olhos, os ouvidos, o coração, a coluna vertebral, o fígado e os rins.

Elas lutam eficazmente contra os ingurgitamentos, os males do estômago e as afecções glandulares.

Sopro frio

Ele descarrega e fortalece. Produz-se o sopro frio soprando de uma distância de cinqüenta centímetros ou mais.

Não se deve deixar de empregá-lo com os passes transversais quando o paciente adormecer depois da magnetização, para evitar a congestão de certos órgãos em seguida a um muito grande fluxo de forças vitais.

Jato Fluídico

O jato fluídico consiste na projeção do fluido vital com as mãos abertas, lançadas bruscamente para a frente, projeção que se faz no início de um passe longitudinal.

Certos médiuns curadores o empregam de preferência sobre os locais que querem fortificar. Os jatos se sucedem então rapidamente durante alguns minutos.

Alguns videntes perceberam, em tal momento, que a emissão se fazia abundantemente sob a forma de gotículas fluídicas de um branco-prateado.

Magnetóforos

As experiências de psicometria, que permitem a um sensitivo recordar a história de um objeto, descrevendo as características físicas, intelectuais e morais da pessoa, que foi ou é dona dele, bem como os acontecimentos importantes que presenciou, provam a realidade da impregnação psíquica das coisas que existiam no ambiente dos indivíduos.

O médium curador, cuja sensibilidade se desenvolveu pelo exercício, pode por-se em relação com o enfermo, que se achar em um lugar distante, por meio de objetos pessoais que levava consigo (carta, roupa, papel, jóia etc.). Uma ligação ou uma corrente parece estabelecer a comunicação entre o médium e o interessado.

Certos elementos, como a água, a cera, o papel, a lã, impregnam-se facilmente do fluido vital (operar-se-á aqui por meio de passes ou imposições que duração de cinco a dez minutos para os líquidos e mais para os tecidos).

Água Magnetizada

A maioria dos magnetizadores com autoridade não hesita em reconhecer a virtude terapêutica da água magnetizada.

Magnetiza-se uma garrafa destampada ou um copo com água, segurando-se o recipiente com a mão esquerda e fazendo-se passes do alto para baixo. Por vezes, também, as pontas dos dedos da mão direita, reunidas em cima do gargalo, servem para dirigir, para o líquido, o fluido benévolo.

Reconhece-se, geralmente, que a água absorve, com facilidade, o fluido ambiente e, com mais forte razão, o que o médium curador projeta fortemente para saturá-la.

Segundo Théo Matthys (ob. cit.), que o experimentou muitas vezes, pode-se ajuntar aos fluidos exteriorizados tal ou qual intenção. Diz ele: "É formidável, é incompreensível, mas tal acontece!"

A estas palavras persuasivas acrescentaremos apenas isto: a água magnetizada, absorvida pelo doente afastado, leva, longe, um pouco da emanação mediúnica e constitui um laço invisível entre o enfermo e o médium curador.

Desde então, é de surpreender que os pensamentos de um atinjam o outro e produzam os efeitos desejados, como se o doente estivesse presente à magnetização?

Duração da ação magnética dos magnetóforos

Segundo H. Durville em seu "Tratado Experimental de Magnetismo", a duração magnética sobre os objetos é variável. Diz ele:

"Ela diminui progressivamente pare acabar por desaparecer completamente. A água e os fluidos em geral a conservam durante longo tempo, anos mesmo, sem que as propriedades comunicadas estejam sensivelmente diminuídas, ao passo que os corpos sólidos as perdem com muito mais rapidez. Uma pedra ou um pedaço de pano as perdem em algumas semanas e elas desaparecem de uma moeda em poucos dias. Tal fato parece indicar que o metal possui sua polaridade própria e que essa, modificada ou completamente afastada, retoma pouco a pouco, na natureza, o modo vibratório de que é ordinariamente animado".

"Se se quiser conservar-lhe a propriedade magnética, não se deve ferver a água magnetizada".

"Em geral, para se conservar por mais tempo a propriedade dos corpos magnetizados, é preciso conservá-los na sombra, em um lugar seco e fresco, não exposto às correntes de ar e, se possível, envolvê-los, em um papel parafinado ou mesmo em um tecido de seda, porque esses são isolantes em certa medida".

É preciso, sobretudo, afastá-los dos imãs, das fontes de eletricidade, das correntes elétricas, dos metais, dos ruídos intensos e de todos os agentes produtores de magnetismo fisiológico.

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Ações à distância

Os experimentadores já reconheceram que os mais poderosos efeitos foram conseguidos por meio de ações à distância.

As imposições e os passes à distância devem ser feitos a dez ou quinze centímetros do paciente, depois de se ter feito, preliminarmente, uma primeira tomada de contato, como já explicamos.

O pensamento sozinho pode estabelecer um laço suficiente entre o enfermo e o médium curador. Ele exige um grande desenvolvimento mediúnico e uma assistência espiritual poderosa.

A prece e a elevação espiritual do médium curador desempenham aqui um papel capital.

Tratamento de algumas afecções orgânicas segundo Mesmer

- Para os depósitos e ingurgitamentos

Imposição da mão sobre a parte enferma.

- Epilepsia

Toque da mão direita na raiz do nariz. Toque da outra mão na nuca. Passes longitudinais.

- Apoplexia

Toque na cavidade do estômago. Toque oposto desde a nuca até o meio do tronco.

- Doença dos olhos

Ligeiro toque. Sopro leve. Água da chuva magnetizada.

- Inflamações (bronquite, otite, cistite, faringite, ovarite).

Passes transversais. Sopro fresco. Imposição da mão. Passes longitudinais.

- Cólicas, vômitos, dores nos intestinos.

Leve toque no lugar do mal.

- Surdez e zumbido nos ouvidos.

Sopro quente.

- Doenças infecciosas.

Água magnetizada. Passes e imposição à distância.

Doenças de degenerescência - câncer

Magnetização completa muitas vezes renovada.

Tratamento conforme Numus

- Dores de cabeça

Descarregar pelas pernas por meio de passes a partir do estômago.

Descarregar de dois em dois minutos.

Beber água magnetizada.

- Constipação do cérebro.

Descarregar pelas narinas.

- Cãibras do estômago

Imposição da mão direita sobre o estômago.

Descarrego pelas pernas.

Goles de água magnetizada entre as magnetizações.

- Reumatismo

Magnetizar o coração.

Lançar fluidos sobre as partes reumáticas (idem para a ciática, a gota, os entorses).

- Dores de dentes

Magnetizar o alto da cabeça, descendo ao longo dos maxilares, e descarregar pelo queixo.

Ação esterilizante das radiações humanas

Em seu livro "O Segredo das Ondas Humanas", Maurice Phanec, criador da "ritmoterapia", que não é outra coisa que uma massagem especial da coluna vertebral, apóia o seu método sobre a emissão do eflúvio eletromagnético e assim se exprime:

"A ação magnética humana, como nos pode demonstrar a ritmoterapia, é excitante e sedativa (calmante), como se quiser. Pode ser também abortiva (que faz abortar) e esterilizante. Uma chaga, um abcesso ou um furúnculo ficam curados com uma rapidez espantosa, quando são submetidos à influência radiante de nossas mãos.

Todavia, seria temerário querer tratar uma chaga ou um abcesso unicamente pela imposição das mãos. Certos operadores já conseguiram, é verdade, obter resultados surpreendentes, porém é mais prudente para os principiantes se contentarem em tratar apenas dos casos que não apresentarem nenhuma gravidade aparente. Por exemplo, certos furúnculos do rosto, particularmente os localizados no nariz e nas pálpebras, onde o tratamento abortivo comum é bastante doloroso e delicado. É preferível, aqui, que o enfermo opere ele mesmo sem o concurso de qualquer pessoa estranha.

Depois de lavar cuidadosamente as mãos, limpa-se a tumefação com água fervida e a seca com um tampão de gaze. Em seguida, pousa-se a extremidade dos dedos sobre o tumor em formação.

No fim de certo tempo, que pode variar de vinte minutos a três horas, esse tumor fica como uma espécie de vesícula cheia de um líquido xaroposo-purulento. Lavam-se as mãos e limpa-se a zona sobre a qual se opera, de quinze em quinze minutos.

Uma sensação de calor, depois de formigamento e enfim de picadas se fazem sentir. O furúnculo evolui sob os vossos dedos e está pronto a abortar.

Ele se abre, com efeito, alguns minutos após e uma pequena massa de tecidos necrosados aparece: é o carnegão.

Expreme-se-o levemente, lava-se e depois seca-se o lugar de novo e continua-se a imposição dos dedos dez a quinze minutos ainda para o esterilizar e evitar nova formação".

O poder mumificador do fluido humano

O Congresso espírita belga e os estrangeiros puseram em evidência o poder mumificador dos fluidos humanos utilizáveis no tratamento de certas enfermidades.

Pelo processo que vamos indicar, vegetais e animais mortos foram conservados ao abrigo da putrefação, sem apresentarem nenhum sinal de decomposição.

Experiência com um limão:

Reproduzo o que escrevi em meu livro "O Além ao Alcance de Todos":

"Depois que o médium lavar as mãos e essas voltarem ao seu calor normal, ele faz passes magnéticos sobre o limão uma ou duas vezes por dia, tendo o cuidado de colocar o limão ao abrigo da umidade ou de um calor muito grande. Se ele possuir um fluido adequado a essa espécie de trabalho, o limão secará e finalmente ficará duro.

Peixes, um coração de bezerro, um fígado já foram, de tal maneira, preservados da putrefação".

Vários investigadores já refizeram a mesma experiência, conservando, em suas mãos, tecidos vegetais e animais. Esse sistema de operar deixa, naturalmente, a porta aberta a críticas, fáceis de serem eliminadas agindo à distância.

Alguns Conselhos

1. Para produzir efeitos sérios, é preciso estar profundamente convencido de que se possui força magnética. A vontade faz o resto.

2. Se um enfermo cai em estado sonambúlico, isto é, quando padece ligeiros espasmos, tem sonolência, fecha os olhos, ele chegará ao sono magnético se se continuar à magnetização.

O médium curador pode aproveitar-se desse estado para pedir ao enfermo adormecido que lhe revele a natureza e a causa de sua moléstia, bem como os remédios a lhe aplicar. Ele obterá os melhores resultados se persuadir o paciente, ao mesmo tempo, de uma melhora notável de sua saúde.

3. Tanto quanto possível, a magnetização deve preceder as crises nervosas.

4. A rigidez dos membros convulsos cessa quando se fazem passes longitudinais sobre as partes convulsas.

5. Um sensitivo, ultranervoso, só deve receber uma dose bem pequena de fluidos no momento de cada operação magnética.

6. Com um moribundo, convém operar com prudência e geralmente, começando por passes bem leves.

Para continuação da vitalidade, deve-se aumentar ao mesmo tempo a duração da magnetização. Quando a fadiga se fizer sentir, parar durante uma dezena de minutos.

7. No caso de doença crônica, renovar, se possível, a magnetização de dez em dez horas.

8. No caso de enfraquecimento funcional que ocasione o resfriamento dos órgãos ou do corpo inteiro, magnetizar abundantemente e por muitas vezes. A imposição das mãos é às vezes necessária.

O tratamento pode durar meses para ser eficaz.

9. Em todas as doenças inflamatórias, fazer numerosos passes de descarrego, acompanhados de sopros frios em cima das partes atingidas.

Depois fazê-los seguir de passes longitudinais com o fim de regularizar a circulação nervosa em todo o corpo.

10. O curador terá toda vantagem em não se entregar à ação magnética depois de uma refeição copiosa ou quando o estômago estiver vazio há muito tempo.

Uma bem grande abundância de alimentos nesse órgão produz uma congestão momentânea e utiliza uma boa quantidade das forças nervosas indispensáveis para os tratamentos. O melhor será magnetizar depois de uma refeição ligeira.

Duração e variabilidade dos tratamentos

Não é raro que as primeiras magnetizações escorreguem, de alguma sorte, pelo doente, sem ele lhes sentir os efeitos.

Trata-se então de reduzir a resistência psíquica do paciente, devida quase sempre à incredulidade e à desconfiança.

Ele não vibra e torna-se impermeável à ação magnética.

O que dissemos precedentemente permite ao médium curador vencer estes dois inimigos da cura psíquica e conquistar a confiança do consulente. Chegado aí, o efeito do magnetismo não se fará esperar.

A magnetização não deve ultrapassar as forças do médium curador, que deverá cessar a operação desde que experimente uma sensação de fadiga.

De acordo com Cahagnet, uma sessão de meia hora é o bastante e deve ser renovada tanto quanto possível para o meio do dia.

Para as doenças crônicas, o tratamento espiritual pode durar de cinco a seis meses. Pode acontecer ainda que, para as afecções de degenerescência reputadas incuráveis, como o câncer, o trabalho de vários magnetizadores, renovando-se um após outro, se faça necessário pela razão bem simples de que, nesse caso, a diminuição de forças é absolutamente muito importante.

A faculdade do médium curador é essencialmente muito variável.

Segundo Allan Kardec em La Revue Spirite de 1865:

"A experiência prova que, na acepção restrita do termo, entre os mais bem dotados, não há médiuns curadores universais. Um terá restituído a saúde a um enfermo e nada produzirá em outro, já outro terá curado um mal em um indivíduo, mas não curará o mesmo mal, outra vez, na mesma pessoa ou em outra e, finalmente, outro terá hoje uma faculdade que não possuirá mais tarde conforme as afinidades ou as condições fluídicas em que ele se encontrará".

Nos casos urgentes, o médium curador poderá pedir o auxílio de um pessoa presente, que colocará a mão sobre o ombro dele, a fim de deixar livres os seus movimentos.

Fazendo assim a cadeia com um ou vários colaboradores, a sua ação será poderosamente fortalecida.

Este método é freqüentemente empregado na Inglaterra.

Os insucessos dos magnetizadores

1. Se o magnetizador estiver fatigado, indisposto ou esgotado para um trabalho duradouro ou violento, ele não produzirá nada ou produzirá bem pouco, embora a sua vontade permaneça inteira.

A falta de resultado é ainda mais patente quando ele estiver distraído e operar de forma maquinal, com moleza, sem vontade expressa.

2. Acontece também que o magnetizador verifica, após as primeiras magnetizações feitas em excelentes condições, uma recrudescência dos sintomas da doença.

Essa crise, longe de o desencorajar, o impelirá a perseverar, pois que é ela um sinal de regeneração do organismo, mas o previne para ser prudente e dosar convenientemente a emissão dos seus fluidos.

3. A um enfermo bem enfraquecido ou ultra-sensível, deverá ser projetado um fluido leve e suave. Em tal caso, a magnetização por uma mulher é sempre indicada.

4. Em geral, o desaparecimento dos sintomas da moléstia não significa a supressão radical dos tratamentos mediúnicos e o fim da doença. É preciso, em nossa opinião, perseverar ainda algum tempo até que o próprio enfermo se declare curado.

A intuição e a inspiração desempenham igualmente aqui um papel importante.

5. Uma outra causa de insucesso pode provir de uma bem grande resistência dos vasos capilares da pele e da falta de condutibilidade dela para a força nervosa.

Uma pele suada, ligeiramente úmida, é má condutora. O fluido exteriorizado se condensa e o escoamento fluídico não pode obedecer à vontade do médium curador. É por esta razão que se recomenda ao médium não trabalhar em um local superaquecido.

Descarrego pessoal do magnetizador

No decurso da operação fluídica, acontece que as forças do magnetizador ou médium curador se misturem com as do enfermo e que os passes aplicados levem consigo partículas fluídicas malévolas.

Para se desembaraçar delas, o médium curador deve fazer um apelo a Deus e aos espíritos protetores e, em seguida, desejar ardentemente que os fluidos maus se afastem de si.

Lembramos, de passagem, que, depois de cada operação, o médium curador deve ter o cuidado de refrescar suas mãos com um pouco de água fresca ou ligeiramente avinagrada.

Uma vez tomadas tais precauções, os novatos se julgam quites com toda a obrigação. Há aí um erro grosseiro, porque muitas vezes os tratamentos mediúnicos alteram o ambiente espiritual comum do enfermo.

Na maioria dos casos, esse ambiente só é constituído de entidades inferiores que provocam o estado, de fraqueza do paciente ou se aproveitam dele para fazê-lo agir conforme os seus caprichos.

Afastados, com pesar deles, do enfermo, voltam-se contra o médium curador que assaltam com os seus pensamentos vingativos e chegariam a atingi-lo se o médium curador, como todos os sensitivos, não tiver sua vida regrada pelos princípios que assinalamos no começo desta obra.

Isto explica por que médiuns temerários ou imprudentes obsedam-se ou abandonam a sua missão em conseqüência de transtornos aos quais ficam sujeitos.

6

O médium curador

Papel do guia do médium

Nossa posição experimental nos permite afirmar a realidade do mundo espiritual que circunda também a Terra, portanto os seres, que o habitam em torno de nós, agem e reagem sobre nós. Eles têm, por sua situação, uma vontade mais esclarecida e, de fato, mais forte que a média do gênero humano, vontade que pode ficar paralisada pela nossa inércia e a nossa falta de aspiração espiritual.

Todo o homem que deseja fazer o bem é assistido por um espírito da mesma tendência. Neste caso, é um verdadeiro médium, pois que age sob a influência, às vezes oculta, de um espírito.

Pouco a pouco ele se compenetra de uma assistência superior que conduz a sua mão quando faz os tratamentos e que inspira e dirige, de alguma sorte, toda a sua ação humanitária.

Considerando tudo o que acaba de ser dito, o médium curador deve, no momento em que faz as suas aplicações de passes, não pensar mais nos conhecimentos adquiridos para deixar mais liberdade à inspiração ou ao automatismo espírita.

Papel da prece e do médium curador

Pelas suas aspirações sensuais ou materiais, o homem cria para si mesmo uma couraça de fluidos pesados e tece de alguma forma, à sua revelia, uma casca psíquica cujas vibrações não concordam com as das forças superiores e não são influenciadas por elas.

Não é senão quando o indivíduo transforma ou destrói essa capa grosseira pela elevação de seus pensamentos para os mundos superiores que a intervenção desejada é possível.

Mas acontece às vezes que esse anelo é fraco e, por conseqüência, o resultado é pouco encorajador. É então que a ação do médium curador, duplicada como doutrinador, se faz necessária. Pela sua ação, desagrega os fluidos pesados, restitui as forças ao doente e dirige os seus pensamentos para aspirações mais elevadas.

Essa reeducação moral deve ser sustentada procurando-se pessoas espíritas esclarecidas, cuja influência manterá o equilíbrio psíquico restabelecido pelo médium curador.

De acordo com o que dissemos acima, aquele que deseja curar deve adquirir, antes de tudo, grande autoridade moral e intelectual.

Preparação mental no momento dos tratamentos mediúnicos

Preces do médium curador.

Antes:

Ó Deus, Poder Infinito, nós nos inclinamos perante os decretos de Vossa Imutável Justiça, mas sabemos que sois a bondade perfeita que coloca o remédio ao lado do mal!

Permiti hoje que eu seja o instrumento de Vossa Divina Clemência e fazei que, com o auxílio de meu guia espiritual, possa colocar um bálsamo na dor de Vosso humilde filho (ou filha)!

Guiai a minha mão para que ela lance sobre o organismo enfermo fluidos reparadores e vivificantes!

Enfim, dai-me, meu Deus, a perseverança que triunfa dos obstáculos, mas que a Vossa Vontade seja feita e não a minha para o maior bem desta Vossa criatura!

Espíritos superiores que dignais de assistir-me em meu trabalho, inspirai-me as palavras salutares que indicarão ao enfermo o caminho a seguir e o meio de afastar a provação que o acabrunha!

Depois:

Eu Vos agradeço, meu Deus, por ter-me consentido ser útil ao meu próximo.

Permiti que só a Vós dedique todo o mérito do sucesso que eu pude obter e que a minha ação sirva para o adiantamento moral dos meus irmãos.

Permiti também ao meu guia espiritual livrar-me dos fluidos impuros que poderiam alterar a minha saúde e interromper a tarefa humanitária que tomei sobre mim.

Prece por um obsessor:

Deus! Permiti ao espírito que obseda o nosso irmão (ou irmã) se aperceba de que deixou a vida terrestre para entrar na vida espiritual! Que ele compreenda que, neste novo estado, deverá cedo ou tarde abandonar os hábitos e as vaidades do mundo que acaba de deixar, assim como todo o desejo de domínio ou de posse material.

Agir de outro modo seria permanecer nas trevas da erraticidade, onde as tentações da Terra lhe seriam um verdadeiro suplício.

Se é um amor apaixonado e intransigente que te liga aos seres e às coisas do plano terreno, que saibas bem, amigo que me ouves, que a tua ignorância e a tua teimosia, embora bem intencionadas, te serão mais perniciosas do que o abandono delas.

Para a tua felicidade pessoal, eleva-te rumo às esferas superiores onde adquirirás a luz e a sabedoria que te transformarão em um conselheiro esclarecido ou devotado.

Escuta as vozes dos que já atingiram os cumes da espiritualidade e voltarás então para nós engrandecido e purificado, a fim de nos ajudar a subir a rude escada da vida.

Mas se voltas contra os teus irmãos humanos, para saciar os teus rancores e ódios, então, amigo, toma cuidado porque desencadearás sobre ti mesmo o ressentimento de outros seres inferiores que não concedem o perdão das ofensas e te ligarás por numerosos anos aos sofrimentos.

Observa o teu passado. É ele isento de faltas iguais às do irmão que persegues, faltas que te seriam também censuradas?

A hora da tua volta à vida terrestre talvez não demore a soar. Vê as provações que te aguardam se persistires no mal.

Amigo, eleva o teu olhar para o Alto. É tempo de refletir. Compreende que é belo e grandioso perdoar, praticar o bem.

Compreende a tua nova vida e abandona de uma vez por todas aquele a quem persegues com os teus fluidos pesados e pensamentos nefastos.

Afasta-te por um tempo dos que partilharam dos teus erros, ilusões e fanatismo. Fecha os ouvidos aos seus sofismas e às suas zombarias. Um dia chegará, como o teu, em que eles se prosternarão diante de Deus e lhe implorarão clemência.

Pensa naqueles que amaste, que sempre foram bons e verás que eles correrão ao teu encontro para te ajudar a levantar o véu que te oculta ainda os esplendores da vida do Além.

Afasta-te de quem persegues, a fim de que, não tendo mais adiante de teus olhos a lembrança de teus erros, não vejas mais a causa de tua queda.

Ora a Deus com sinceridade para que Ele te dê um amigo certo, um guia esclarecido, que te estenderá a mão para te conduzir ao caminho da felicidade.

Esperamos, amigo, que estes pensamentos, que te foram dirigidos com todo o nosso coração, não tenham sido formulados em vão e que um dia, regenerado, voltes a nós para nos contar a tua alegria por nos ter escutado.

Que a Luz Divina desça sobre ti!

Preces por um enfermo antes do tratamento:

Meu Deus, em Vossa grande sabedoria, deixastes que eu fosse atingido pela enfermidade.

Permiti agora que os espíritos superiores me cerquem com os seus fluidos reparadores, me apontem o caminho que eu devo seguir e me dêem a força de esquecer as queixas que o próximo possa ter contra mim.

Dai-me a graça de seguir, de aplicar as leis espirituais que se resumem nestas palavras: desapego material, indulgência, amor, porque é assim que eu encontrarei, desde já, a paz, o conforto e a cura.

Depois:

Eu Vos agradeço, meu Deus, por terdes permitido aos bons espíritos lançar sobre mim fluidos reparadores.

Que o seu auxílio espiritual continue a me dar a coragem e a paciência de que tenho necessidade para suportar a minha provação.

O Fluido Espiritual

O médium curador, ao utilizar o seu fluido pessoal e humano, adiciona-lhe o fluido espiritual composto das substâncias etéricas trazidas por um espírito elevado.

Diz Allan Kardec em La Revue Spirite do ano de 1865:

O fluido humano, sendo menos ativo, exige uma magnetização fortalecida e um verdadeiro tratamento por vezes demorado. O magnetizador, gastando o seu próprio fluido, esgota-se e fica fatigado, razão por que deve, de tempos em tempos, recuperar as suas forças.

O fluido dos espíritos, mais poderoso em razão de sua pureza, produz efeitos mais rápidos e muitas vezes quase instantâneos. O fluido derramado, não sendo o dos magnetizadores, a fadiga é quase nula.

"O médium curador recebe o influxo fluídico do espírito, ao passo que o magnetizador flui todo o dele mesmo. Mas os médiuns curadores, na mais estrita acepção do termo, isto é, aqueles cujas personalidades desaparecem completamente diante da ação espiritual, são bem raros, pois que esta faculdade, elevada ao mais alto grau, requer um conjunto de qualidades morais que raramente são encontradas na Terra. Somente esses podem obter, pela imposição das mãos, as curas instantâneas que nos parecem prodigiosas.

"Esta faculdade é privilégio exclusivo da modéstia, da humildade, do devotamento e do desinteresse.

"A mediunidade curadora pura, sendo uma exceção cá na Terra, resulta daí que há quase sempre uma ação simultânea do fluido dos espíritos e do fluido humano, isto é, que os médiuns curadores, sendo mais ou menos magnetizadores, agem de acordo com os processos magnéticos, estando a diferença na predominância de um ou outro fluido e na mais ou menos rapidez da cura.

"Todo magnetizador pode tornar-se médium curador se ele souber fazer-se assistir por bons espíritos. Neste caso, os espíritos vêm em seu auxílio, derramando sobre ele os seus próprios fluidos que podem decuplicar ou centuplicar a ação do fluido puramente humano".

Automatismo Psíquico

Depois de ter praticado o magnetismo durante certo tempo, fazendo apelo à ajuda espiritual, acontece muitas vezes que um impulso inexplicável leva a mão do médium para uma parte do corpo enfermo, que reclama a sua atenção, e não é raro ouvir-se o doente confessar a sua surpresa ao exclamar: "Sois formidável. Eu não vos contei nada e é justamente aí que se acha o meu mal".

Convém então não resistir ao impulso incontrolável que o dirige, seja porque uma intuição pessoal tende assim a restabelecer o equilíbrio vital comprometido nesse lugar, seja porque um auxílio espiritual, tomando pouco a pouco posse dos centros nervosos do médium, em seguida a apelos reiterados, dirige os seus reflexos e cumpre uma excelente tarefa em seu lugar.

Que o gesto seja mecânico é coisa certa. A mão é movimentada para qualquer lado e sem qualquer esforço, e para acima do órgão que requer as forças fluídicas indispensáveis.

Uma observação útil: quanto mais o trabalho do médium curador prossegue tanto mais o seu automatismo se desenvolve e realiza, com grande espanto seu, verdadeiros prodígios.

Hipersensibilidade

Gradualmente também, a sensibilidade do médium bem dotado aumenta a ponto de lhe permitir perceber logo as dores experimentadas pelo enfermo nos lugares correspondentes de seu próprio corpo.

Suas intuições, se as têm, acharão aí uma confirmação inesperada, a sua confiança fica reforçada e determina uma emissão mais importante de forças vitais que acelerarão a cura.

Mas uma grande sensibilidade do curador o torna também mais permeável aos fluidos malévolos: estes se misturam aos seus e ele conserva durante algum tempo certos sintomas da moléstia de que trata. Ele tosse se cuida de uma pessoa com bronquite, sente um ponto doloroso nas costas diante de outra com pleuriz e as suas mãos ficam úmidas quando cuida de outra com febre.

Compreende-se então que tal estado de relação não pode durar muito tempo sem acarretar uma diminuição das forças do médium e que, se isto se prolongasse, afetaria sensivelmente o seu estado de saúde.

Mas ele dispõe, felizmente, dos meios de autodefesa que já apontamos acima e sobre os quais não voltaremos a falar.

A respeito diz o magnetizador não espírita Théo Matthys o seguinte:

"Atualmente, desde que sinto que a influência do enfermo vai ser uma carga pesada, afasto-me progressivamente, uma vez que certa impressão muito fraca, mas que o hábito me tornou familiar, me adverte de que estou dentro de zona perigosa".

Esta observação de um prático não é sem valor, embora o médium habitualmente não tenha necessidade dela por causa da assistência espiritual que ele possa ter em caso de necessidade.

Clarividência

Se o médium curador tem certa predisposição para sonhos simbólicos ou premonitórios, bem como pressentimentos, o seu pensamento, dirigido para o enfermo, mas elevando-se por um instante para o invisível que ouve, no silêncio de sua alma, as suas inspirações, esclarecer-se-á por indicações fornecidas por uma clarividência em nascimento.

Como já disse Allan Kardec:

"A força da segunda vista varia desde a sensação confusa até a percepção, clara e nítida, das coisas presentes e ausentes.

"No estado rudimentar, dá a certas pessoas o tato, a perspicácia, uma espécie de segurança em seus atos, que se pode chamar de justeza do olhar moral.

"Mais desenvolvida, ela desperta os pressentimentos; mais desenvolvida ainda mostrará os acontecimentos verificados ou a ponto de se verificarem".

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A esta faculdade pertence à percepção da aura psíquica, a dos órgãos do corpo humano, o diagnóstico das moléstias, o pré-conhecimento da evolução delas e os tratamentos a fazer.

Submetendo constantemente as suas inspirações a um controle discreto que não abale em nada a confiança do enfermo, o médium curador se apercebe rapidamente de que muitas dentre elas se verificam e que, avançando sem temor, a sua quantidade e a sua qualidade só fazem aumentar.

É o exercício dessa faculdade que provoca o próprio desenvolvimento dela.

Que saiba bem que, trabalhando deste modo, ele persegue um fim nobre e que o erro, se existe, é inteiramente excusável.

Que peça mesmo a colaboração do enfermo e não tema confessar-lhe o seu desejo de que ele controle as tentativas com o fim de atingir o mais perto possível a verdade.

Tal atitude, que é própria do pesquisador sincero, causará o melhor efeito e atrairá a confiança para ele.

Todavia, para o desenvolvimento sistemático da clarividência, enviamos o leitor à nossa obra "O Além ao Alcance de Todos", onde achará as indicações necessárias.

7

As doenças psíquicas

Loucura ou possessão

A loucura da perseguição (paranóia)

Com exceção de um desarranjo fisiológico do cérebro, o que a Ciência oficial chama impropriamente de loucura, não acontece muitas vezes que um caso psíquico especial vá até a possessão completa de um indivíduo por uma entidade malfazeja.

Ela começa pela fascinação, transformando-se pouco a pouco em subjugação, primeiramente do ponto de vista mental e em seguida do ponto de vista corporal.

Diz Allan Kardec:

"O espírito dirige aquele que chegou a dominar, como se fosse um cego, e pode obrigá-lo a aceitar as doutrinas mais bizarras e as teorias mais falsas corno sendo a única expressão da verdade".

Ele paralisa-lhe o juízo e o enfermo age, realmente, como em um sonho acordado. Para se considerar o que se passa, é bastante lembrar as experiências dos magnetizadores de cabarés que levam os seus dóceis pacientes a aceitar as mais ridículas sugestões.

O que acontece no Psiquismo dá-se igualmente no domínio espírita.

Diz ainda Allan Kardec o seguinte:

"Seria laborar em erro se se acreditasse que tal espécie de obsessão só atinge as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de juízo, porém os homens mais espirituais, mais instruídos e mais inteligentes sob outros respeitos não se acham isentos dela, o que prova que essa aberração é o efeito de uma causa estranha da qual suportam a influência".

Aqui, e principalmente quando se trata de pessoas moralistas e religiosas, o medo de praticar uma ação má, má segundo eles, assombra-os, obseda-os. É o escrúpulo mórbido.

O despertar das tendências naturais é para eles a causa de uma exaltação intolerável, porque aceitam, habitualmente, uma falsa moral e contra a natureza.

Para tratar de tal espécie de doentes, compreende-se que será preciso recorrer a um médium curador, gozando, assim como os santos, de uma reputação de taumaturgo e tendo uma elevada autoridade moral.

Convém mostrar-lhes a falsidade de seu juízo, mas isso depende, sobretudo, do conjunto que se agarra desesperadamente às idéias de família e às superstições religiosas.

Obsessão

A mediunidade prova que vivemos todos no meio de um oceano de vida psíquica povoado de seres espirituais.

Todos nós somos mais ou menos sensitivos e, por conseqüência, em certa medida, susceptíveis de ser influenciados para o bem ou para o mal, segundo tenhamos vivido bem ou mal, pelos invisíveis que nos cercam.

Se nos sacrificarmos a um egoísmo feroz, a satisfações sensuais constantemente renovadas, teremos em torno de nós forças espirituais inferiores que vivem de nossas emanações fluídicas.

Sempre atormentado pelo enxame invisível de seus credores, o homem orgulhoso, sensual, egoísta, esgota-se, lamenta-se e sofre.

Por vezes dir-se-ia mesmo que uma vontade intransigente se obstina em colocar, sob os seus pés, armadilhas incessantemente mudadas.

Dobrando-se diante de uma fatalidade que o oprime, leva uma vida miserável. Com os nervos à flor da pele, o seu pensamento é impotente para vencer a provação. Irascível, suspicaz, sua alma se revolta, mas em vão. Por acréscimo, seu corpo leva o estigma de uma decadência crescente. Muitas vezes queixa-se de dores de cabeça, como se a sua fronte, as têmporas e a nuca fossem comprimidas em um círculo de ferro.

Intoxicado por pensamentos deprimentes, incompreensível, com o cérebro vazio, ele cai em uma apatia mórbida.

Sem perceber isso, torna-se presa de invisíveis do mais baixo padrão e corre para uma obsessão que o impelirá a cometer atos ridículos ou maus que o desacreditarão definitivamente aos olhos dos que o cercam.

Esse homem passa por um alucinado, porém sofre horrivelmente em seu corpo, em seu coração e em seu espírito.

Em um período de lucidez passageira, entre duas crises de furor, se for religioso, ele ora, mas a sua prece é fraca, porque, quase sempre, só é uma fórmula vaga aprendida outrora, em sua primeira mocidade. Ela fica sem eco, porque não é a expressão de seu próprio pensamento, não é um anelo de sua alma que se eleva confiante e sereno rumo às regiões etéricas.

Ela rasteja, ao contrário, pelas cercanias da Terra, arrastada pelo interesse ou pelo acicate do sofrimento.

Assim, tendo perdido toda a sua energia, toda a sua vontade, o enfermo (porque de fato o é), busca um médium curador.

O remédio a empregar é claro: livrar o obsedado do domínio psíquico, levantar a sua confiança, restituir-lhe o equilíbrio, dar-lhe em seguida as forças vitais que lhe faltam, depurar o seu ambiente, fortificar a sua vontade e levá-lo a reparar, por meio de uma vida mais nobre e mais generosa, as falhas cometidas outrora contra o seu semelhante e, a fim de lhe permitir conseguir um sono reparador, aconselhá-lo a dormir em quarto ligeiramente claro.

Durante o tratamento espiritual, as forças espirituais continuarão a fluir ao paciente. As más sugestões não influenciarão mais a sua alma, a inquietude angustiosa desaparecerá e o enfermo retomará o seu gosto pela vida.

A obsessão se declara quase sempre quando o doente se decide a mudar de vida. Então o obsessor tira a máscara e se mostra.

A crise salutar passa e a cura, mesmo que ela custe a vir, é certa ao fim de pacientes esforços.

Os casos graves de obsessão reclamam muitas vezes a doutrinação direta do espírito obsessor que está, em certas ocasiões, inconsciente de seu estado espiritual e pensa achar-se ainda na vida terrena.

Evoca-lo-ão em uma sessão organizada, com o auxílio de um médium clarividente ou de incorporação, presidida por um doutrinador experimentado.

Quando o obsessor se manifesta, pede-se-lhe uma explicação de seu ódio contra o enfermo, mostrando-se que a sua obstinação só prejudicará a si mesmo, uma vez que o enfermo será cedo ou tarde libertado de sua influência maléfica.

Procura-se fazer com que se esqueça dos males cometidos contra ele na Terra, seja por fraqueza, seja por ignorância, demonstrando-lhe que sua felicidade futura depende, antes de tudo, de sua indulgência, de seu perdão.

Nos primeiros tempos da doutrinação, o espírito fulmina, ameaça os que o impedem de executar a sua vingança, porém esses não se abalam, pois que o espírito não poderá atingi-los em sua própria vida, já que, segundo a lei da afinidade, os seus poderes são limitados aos seus antigos devedores, de acordo com a lei da justiça imanente.

Mas acontece às vezes que o obsessor se esconde por detrás de uma máscara de hipocrisia; procura-se então fazer com que ele se descubra por meio de diálogos em que lhe são exigidas respostas claras e precisas.

Por meio de artifícios numerosos, é preciso provar-lhe a sinceridade e um espírito sincero não oporá nenhuma dificuldade em dar satisfação e estabelecer a sua boa-fé.

Se o obsessor se esconde por trás de um mutismo calculado de antemão, se recusa a manifestar-se quando é evocado, é preciso usar de uma grande força de vontade e exigir mentalmente a sua presença por um pensamento fortemente concentrado. Nessa ação, o doutrinador será auxiliado por um espírito-guia ou protetor.

Essa sessão de doutrinação pode ser feita à revelia do obsedado, a fim de evitar uma reação muito violenta da entidade em seu domicílio.

De sessão em sessão, a limpeza espiritual do enfermo se opera e finalmente ele, completamente livre da má influência pode retomar o ritmo de sua vida ordinária, mas tendo sempre o cuidado de colocar-se sob a proteção de entidades superiores por meio da prece.

Durante o tratamento, o médium curador evitará de contar ao doente o seu verdadeiro estado, pois seria um crime acrescentar uma angústia terrível à sua doença momentânea.

Confiança, elevação moral, perdão, são os três objetivos a atingir, objetivos que permitirão ao doente sair renovado das mãos do médium curador.

Alguns casos de obsessão espírita

Tem-se discutido bastante sobre a causa desses fenômenos perturbadores. Quase sempre é procurada no desdobramento da personalidade. Alguns casos típicos de obsessão que adiante relataremos, mostrar-nos-ão que a verdade é bem outra.

Nós os colhemos no notável livro de Dr. Picone-Chiodo, advogado em Milão, Itália, intitulado "A Concepção Espiritualista e a Sociologia Criminal".

Primeiro caso:

Em seu artigo intitulado "Como me tornei Espírita", estampado na "Revista Científica e Moral do Espiritismo", o General H. C. Fiz expõe o seguinte:

"Certa tarde, nosso médium de incorporação veio, afobado, contar-nos que, naquele mesmo dia, seu pai fora subitamente atacado de alienação mental, que ficara louco furioso e que fora obrigado a amarrá-lo para o conduzir ao asilo de alienados, mantido pelos frades Celitas.

Veio-nos logo ao pensamento que bem poderia tratar-se de uma obsessão, e então interrogamos os nossos guias que nos disseram ser realmente assim. Eles nos mandaram evocar o espírito obsessor e doutriná-lo, para que deixasse o pai de Reyners em paz.

Assim se fez. O espírito obsessor contou-nos que se vingava porque o pai de Reyners o fizera condenar outrora à prisão e que o martirizaria até que a morte dele se verificasse.

Durante oito dias, todas as noites, reunimo-nos para levar esse espírito à razão, mas sem esperança. Falamos-lhe sobre o perdão das ofensas e lemos o belo capítulo de "O Evangelho segundo o Espiritismo", em que Allan Kardec trata magistralmente do assunto. Foi em vão.

Coisa notável que surpreendeu em último grau os frades Celitas, visto que caso igual nunca se lhes apresentara, era que, entre oito e dez da noite, o pai de Reyners recuperava o juízo e perguntava por que fora internado em uma casa de saúde. Dava-se isso justamente na ocasião em que o espírito obsessor, evocado por nós, manifestava-se em nossa sessão.

Mas, às dez horas e alguns minutos, o obsessor retomava conta de sua vítima e os acessos recomeçavam...

Enfim, no nono dia, o espírito acedeu às nossas ponderações, agradeceu a nossa intervenção e prometeu deixar de ora em diante o pai de Reyners em paz, e manteve a sua palavra.

O pai de Reyners saiu na manhã do dia seguinte, completamente curado, da casa de saúde. Ele viveu ainda longos anos sem nunca ter sabido, pelo menos cá em baixo, o que lhe acontecera.

Fez-se-lhe acreditar que um súbita indisposição o levara a passar alguns dias entre os frades Celitas. Ele não se lembrava, absolutamente, dos seus acessos de furor.

Seu filho achou-se no dever de lhe contar que um espírito de nome.... se comunicara no grupo e lhe suplicara que orasse por ele. Depois de haver longamente refletido, o pai disse: Creio recordar-me de que, em minha mocidade, há bem uns cinqüenta anos, fiz condenar à prisão, por roubo, um indivíduo com este nome. Está bem. Orarei todos os dias por ele".

E ainda se nega a existência dos espíritos e a sua intervenção em nossas coisas.

Segundo caso:

O Dr. Emile Magnin, de Genebra, Suíça, comenta assim um caso de cura muito notável, obtido em sua clínica hipnótico-magnética:

"Nestes últimos anos, dentre os numerosos enfermos atingidos por formas variadas de neuroses e que eminentes neurologistas e alienistas confiaram aos meus cuidados, tive alguns casos que parecem abrir novos horizontes à ciência da terapêutica.

"Eis um caso desta natureza:

"A sra. G., de 28 anos, atingida por uma dor de cabeça de origem neurastênica, à qual, depois de vários anos, uma obsessão de suicídio se juntara, veio consultar-me.

Um exame atento me assegurou tratar-se de um organismo sem qualquer tara física. O lado psíquico, ao contrário, deixava muito a desejar: emotiva, fantasiosa, facilmente sugestionável. A enferma insistia em uma angústia atordoante na nuca, dizia ela, com uma sensação de peso, às vezes intolerável, sobre os ombros. Nesses momentos era possuída por uma vontade quase irresistível de se matar.

No decurso de longa conversa, contou-me que, antes de seu casamento, fora cortejada por um oficial que ela amara, mas que razões de família a impediram de desposá-lo. Ele morrera pouco depois e, certo tempo após, essa obsessão de acabar com a vida se apossara de sua pessoa.

Aí residia, sem dúvida, a origem de seu pensamento obsedante e um tratamento psicológico impunha-se. Várias sessões no estado de vigília não obtiveram êxito. Procedi, em seguida, a ensaios de reeducação magnéticos e não consegui nenhuma melhora. Depois sugestões imperativas no sono magnético não deram resultados apreciáveis.

Resolvi então, com o consentimento do marido, mas à revelia da enferma, agir com o auxílio de uma médium que eu estudava já havia algum tempo, e que muitas vezes me maravilhara com a nitidez dos clichês visuais que o seu dom de vidência lhe permitia descrever-me. Tomei todas as precauções necessárias em tal caso. Não disse uma só palavra sobre a sua situação à médium, que pus em presença da doente, depois de a ter adormecido. Avisei-a de que não lhe faria nenhuma pergunta e que ela não teria senão que me descrever, o mais simplesmente, o que os seus dons de visão psíquica lhe fariam ver.

Apenas foi introduzida junto da enferma adormecida em divã, descreveu-me um ser que parecia "montado" nas costas da paciente. Sem deixar perceber o meu espanto, nem o grande interesse que apresentava, para tal verificação, pedi à vidente que indicasse a posição exata desse ser invisível para nós.

E eis o que me disse ela: "Com a mão direita comprime-lhe a nuca e com a esquerda oculta o seu próprio rosto". Depois, sufocada pela emoção, a médium exclamou: "O moço suicidou-se e quer que ela vá se juntar a ele".

A pedido meu, ela me descreveu a fisionomia, com a expressão "um olhar bem estranho", e mesmo o caráter do ser que pretendia ver. Depois, indo um pouco mais longe, levada pelas suas convicções espíritas, se pôs a conversar com o mesmo. Eu a escutava com um interesse crescente e, ainda que sempre céptico, segui o seu exemplo e me pus a conversar com aquele ser hipotético como se eu fosse o mais fervoroso dos discípulos de Kardec. A médium não tirava os olhos da enferma e me transmitia as respostas daquele ser invisível. Sua expressão, cheia de vida, contrastava estranhamente com a da enferma, completamente abatida.

Essa conversa bizarra foi longa e agitada. As respostas por mim obtidas denotavam uma natureza violenta, apaixonada e dominadora. Também apesar de minha impressão de viver naquele instante uma espécie de sonho, não obstante o meu cepticismo, não pude deixar de experimentar um certo alívio, uma real satisfação ao saber da médium que os meus argumentos tinham enfim convencido o espírito, que, tomado de piedade, prometia abandonar a sua obra de destruição e deixar a sua vítima em paz.

Eu só despertei a paciente depois de duas horas da partida da médium e não lhe revelei uma única palavra da experiência que ela devia sempre ignorar. Ao deixar-me, falou-me assim: "Sinto-me hoje muito aliviada".

Na manhã do dia seguinte, veio procurar-me: estava transformada. Sua expressão, sua atitude, suas vestes, tudo demonstrava uma reviravolta em seu pensamento. Seu natural, sua alegria, seu gosto pelas artes tinham voltado de um dia para o outro e seu marido não a reconheceu mais, uma vez que a sua mudança fora brusca.

Depois daquela experiência tão fecunda em resultados, a moça não experimentou mais nem a aflição na nuca, nem a sensação física de frio nos ombros, nem a obsessão psíquica de suicídio. Sua saúde tornou-se perfeita desde então e um ano após teve dois gêmeos de muito boa saúde".

O Dr. Picone-Chiodo conta que certa vez os espíritos-guias explicaram ao Dr. Carl A. Wickland, médico e autor da obra "Trinta Anos Entre os Mortos", por meio de sua esposa e médium, que multidões de espíritos baixos e degradados erram em torno dos vivos e que eles se acham em um estado de perturbação igual ao do sono, de forma tal que não se apercebem do meio em que estão e se julgam ainda vivos, não notam a situação absurda e insustentável na qual os colocam as suas convicções religiosas, do mesmo modo que um vivo, que sonha, não chega a compreender a situação, também absurda e insustentável, na qual se acha ao sonhar, embora a aceite como real.

Segue-se daí que esses espíritos errantes, sem um fim, são facilmente atraídos pela "aura magnética dos vivos sensitivos" que têm afinidade com eles do ponto de vista de hábitos viciosos, excessos de todas as espécies ou tendência para o mal. Eles ficam presos, sem poderem sair, sem se aperceberem de sua situação, porém exercendo a sua baixa influência sobre a mente dos vivos.

Acha-se aí, ao que afirmam esses guias, a causa principal dos fenômenos de obsessão e possessão nas quais o espírito obsessor não está sempre consciente do mal que causa à sua vítima.

Em dado momento, o Dr. Wickland observa:

"Um dia, as inteligências espirituais nos disseram que podíamos controlar a verdade de sua afirmativa e examinar as diferentes condições nas quais se acham os espíritos obsessores, graças a um sistema de "transferência" que consistia em fazer com que o obsessor abandonasse a sua vítima para incorporar-se no médium. Isso tinha por conseqüência imediata libertar a vítima de sua psicose e de colocar o obsessor em condições de ser abordado por espíritos missionários que o despertavam então para a vida espiritual, para o instruírem em seguida e o elevarem. Acrescentaram ter encontrado em minha esposa um instrumento adaptado para a tarefa, e então me propuseram colaborar com eles para a libertação de espíritos ignorantes e obsessores.

"Bastaria para tal utilizar-se temporariamente do organismo de minha esposa-médium, que nada sofreria com isso. Faziam-me observar, ao mesmo tempo, que, aceitando a sua proposta, chegaria eu a verificar a verdade do que afirmavam. Essa proposta fez com que surgisse, em minha esposa, o desejo de por à prova os espíritos que se comunicavam, tanto mais que, verificando a verdade do que asseguravam os espíritos, numerosos problemas de criminologia e de psicopatia se esclareciam com luz nova.

"Decidimo-nos então a submeter-nos à audaciosa prova".

"As experiências obtiveram um êxito admirável, uma vez que o Dr. Wickland, conforme narrou no seu supracitado livro, conseguiu notáveis curas de diferentes formas de psicose obsedante. Ele perseverou durante trinta anos na tarefa a que se propôs.

O médico ia às vezes visitar os pacientes com a sua esposa, que estava apta a julgar melhor do que ele se se tratava de enfermidade comum ou proveniente de uma obsessão porque, nos casos de obsessão, ela percebia, ao lado do doente, a forma do espírito obsessor.

Tudo isso poderá parecer estranho, fantástico, místico para alguns leitores, profissionais da Medicina e Psiquiatria, porém, acrescenta o Dr. Picone-Chiodo, é preciso não se esquecer do que o Dr. Wickland curava os pacientes declara-os incuráveis pelos seus colegas.

Assombramento psíquico

Má sorte - Envultamento

Se a vontade pode, como foi dito acima, dar certas qualidades aos fluidos exteriorizados, se o magnetizador pode dirigi-los para um determinada pessoa (homem ou mulher), que possui dons psíquicos e um poder de concentração desenvolvida, não poderia lançar contra o seu próximo fluidos perniciosos?

Sim, a coisa é possível e acontece que pessoas desorientadas chegam a cometer esse crime de lesa-humanidade, todavia, as suas operações não se realizam sem perigo para elas mesmas.

Com efeito, elas se expõem a um choque de retorno muito violento se a pessoa visada lhes é moral ou psiquicamente superior.

Que o enfermo reflita, se acredita nos malefícios de uma pessoa mal-intencionada, causa inicial do mal que padece.

Que comece por não pensar nele. Julgar que a coisa provém daí já é dirigir o seu pensamento para ele. É, sem dúvida, avivar a lembrança dos alarmas, das dores, dos males suportados, é baixar-se ao nível das pessoas malévolas de que se quer evitar a presença a qualquer preço; é, de qualquer modo, abrir a porta abertamente a um adversário perverso.

Que o enfermo se abstenha de tal esforço. Nas horas difíceis, que ele se refugie no êxtase de um pensamento cheio de bondade, que ocupe o seu espírito em realizações excelentes, que faça um escudo de ações generosas, que ame sinceramente os que o acotovelam na estrada da vida e se afaste das pessoas de tendências materiais e apaixonadas.

Pela força de vontade, pelo descarrego mediúnico e pela sua elevação espiritual, três coisas indispensáveis, ele terá adquirido uma proteção eficaz, e os dardos que lhe forem dirigidos recochetearão e voltarão, automaticamente, para a fonte que os enviou. E é uma justiça.

8

As influências mentais

Emoções que matam e emoções que fortalecem

A fim de bem fazer compreender a importância do moral sobre o físico, permitimo-nos transcrever, neste livro, a narração de uma das belas experiências dos srs. Féri, Grabichensky, Massary e Bordet.

Para não alongar a narrativa, escolhemos a que demonstra, de modo definitivo, que o sofrimento moral e a tristeza diminuem a resistência do corpo à enfermidade, em proporções extraordinárias.

Passamos a palavra ao Dr. Pierre Vachet, que escreve o seguinte em sua obra intitulada "O Pensamento que Cura":

"Para conseguirem uma precisão maior, os sábios procederam às seguintes experiências:

Debaixo da pele de coelhos, introduziram pequenos tubos de vidro fino, cheio de culturas microbianas. Depois submeteram a metade desses coelhos a emoções de violento terror, deixando a outra metade deles em repouso.

Depois disso, retiraram os tubos e os examinaram. Os que provinham dos animais não espantados apresentavam traços de uma substância esbranquiçada e mesmo uma espécie de rolha obstruía a abertura deles.

Ao contrário, o líquido contido nos tubos provenientes dos animais espantados tinha ficado transparente. No microscópio, verificou-se que os traços eram formados por glóbulos brancos que lutavam contra os micróbios e os digeriam. Os tubos, onde se mostravam esses traços esbranquiçados, quase não continham mais micróbios, mas, nos tubos dos coelhos atormentados, encontravam-se bem poucos glóbulos brancos e muitos micróbios.

Essas experiências estabelecem, de modo indiscutível, que as emoções deprimentes são os mais terríveis auxiliares dos micróbios que vivem em todos os organismos sem lhes causar o menor dano, mas que exercem os maiores prejuízos desde que diminua a resistência do corpo à ação deles".

Compreender-se-á, pelo que precede, que o consolo, a calma, a confiança no futuro, a elevação do espírito, produzidos pelos conhecimentos da doutrina espírita, são elementos importantes de recuperação corporal.

Graças a ela, a alegria de viver (força de expansão e de equilíbrio) retoma posse de nossa alma, afrouxa os nervos, ativa as secreções glandulares. Alivia o cérebro das complicações cotidianas, o que torna um homem, a justo título, otimista e alegre, que dissipa, com uma palavra prazenteira, com um dito espirituoso, o turbilhão de nossos pensamentos. Esse homem é, deste modo, um verdadeiro benfeitor da humanidade.

Cada dia é ele acotovelado no ônibus, na usina, no escritório. É habitualmente modesto, um filósofo, que tem o talento de colocar, em justas proporções, os pequenos incidentes da vida.

Seu gesto é acolhedor e afável. Ao seu lado, sente-se à vontade. A coragem renasce, as lágrimas secam, a esperança cresce.

O curador deve ser assim. E que se não venha a me dizer que o Espiritismo é uma coisa austera que não permite nenhum afrouxamento.

Tal seria um erro profundo, porque a certeza da sobrevivência, o conhecimento das leis que regem os nossos destinos, o estudo das manifestações espíritas não excluem de nossas vidas as distrações salutares, um bom humor comunicativo, a serenidade moral, a expressão de confiança no futuro.

Um homem desconfiado, malicioso, rabugento, que critica amargamente os defeitos de seus contemporâneos, espalharia, nas casas de seus enfermos, fluidos nefastos.

A alegria é, pois, um elemento importante para a cura. Orientando a imaginação, ela cria hábitos salutares. O sangue circula mais rapidamente nos vasos do aparelho circulatório, as substâncias tóxicas são eliminadas, a digestão se produz mais facilmente, os glóbulos brancos se multiplicam. Em uma palavra, a saúde reaparece.

Imaginação desordenada

Regime mental

Não apenas as forças externas atingem o doente em suas forças vitais, mas também o seu próprio pensamento e a sua imaginação desordenada exageram as suas emoções, excitam os seus nervos, provocam uma secreção excessiva das glândulas ou a diminuem, multiplicam as sugestões perniciosas que agem como um veneno em suas veias.

Trata-se, então, não de as repelir, mas de as canalizar de as dirigir, de lhes dar um fim superior.

Repelir uma tendência é comprimi-la, é duplicar as suas forças de expansão.

Em Física, quanto mais se comprime um gás tanto mais o seu poder elástico se torna poderoso. Dá-se o mesmo do ponto de vista psíquico.

Convém então adaptar a lei moral absoluta aos elementos de resistência encontrados em um indivíduo, de contornar o obstáculo ao invés de o atacar de frente.

A vida inteira de um indivíduo é dominada pelas emoções de sua juventude, emoções essas resultantes de choques de tendências intelectuais e morais contra o meio ambiente.

Na época da puberdade, principalmente, o instinto sexual desperta e, com ele, surgem os instintos dominadores, cúpidos, combativos.

A imaginação é então ocupada por sonhos de grandeza e de poder. Muitas vezes, aliás, esse poder e essa grandeza só são desejados para servir ao sentimento amoroso.

As quimeras, que nascem assim, só desaparecem com a idade, que dá a experiência da vida, isto é, o momento exato do real e da ilusão.

Mas, repelidas desde o seu aparecimento detrás de uma barreira tirânica construída por parentes do enfermo e diretores de consciência fanáticos, os desejos ficam excitados e os diversos órgãos em um estado de tensão exagerada. O pensamento oculta-se por detrás de uma máscara de hipocrisia. Um drama se desenrola ao abrigo dos traços impassíveis do moço e da moça.

Angústia, emoções logo reprimidas, idéias fixas, delírio, vertigem moral, pesadelos, desarranjo psíquico profundo consecutivo à compressão das paixões da mocidade tudo isso provoca a fadiga, as perturbações orgânicas cuja origem fica sutilmente oculta com a cumplicidade do enfermo.

Às vezes, entretanto, se a perturbação é levada ao seu paroxismo, a revolta estoura e o moço doente, sem um guia seguro, abandona-se a desregramentos qualificados de vergonhosos por moralistas de curta visão ou dominados pelo que se dirá dele.

Acusa-se a caldeira que explodiu porque se a abafou sob uma cobertura hermética? Não! É, portanto, erro dos pais, muito bem intencionados e fanáticos, que não querem compreender que a natureza humana tem necessidade desses escapes que a libertam das contingências impostas pelas conveniências.

O sofrimento físico e moral se encarregará, todavia, de conduzir o moço (ou a moça) para uma compreensão mais sã da vida. Sofrerá golpes leves ou profundos e a sua consciência se revoltará contra a injustiça, a hipocrisia, os exageros dos seus semelhantes, porém a hora da renovação soará para ele (ou ela).

Na expectativa desse momento libertador, deve o médium curador ajudá-lo a tornar-se um verdadeiro homem (ou mulher), sincero consigo mesmo e com os outros, acolhendo-o com um sorriso, com uma palavra confortadora, que lhe mostrará a sua confiança nele, dará ao seu ardor juvenil um fim elevado e suficiente, porque a sua vitalidade transbordante tem necessidade de um objetivo mais belo, mais atraente do que o que concebeu até então.

É preciso que ele lhe fale da vida vivida, que aceite a discussão, confronte as sugestões do enfermo com os fatos para extrair deles a verdade, enfim, ele lhe povoará a imaginação de imagens felizes que são o apanágio dos que põem em prática as leis espirituais: atividade útil a todos - indulgência - perdão - desprendimento material - caridade - prece.

E para terminar, além dos tratamentos mediúnicos diretos, o médium curador estabelecerá um laço material com ele por meio de um objeto magnetizado, que lhe dará confiança e o ajudará poderosamente.

Os pais, de seu lado, farão todo o possível para tirar o doente do quadro de sua vida diária, toda impregnada de seus pensamentos, de suas inquietações, recordações de suas quedas.

A doutrina espírita, de seu lado, o desembaraçará dos erros teológicos, dos terrores plantados em sua alma desde a sua mais tenra infância, o libertará do escrúpulo supersticioso que aflige tantas almas devotadas e as tiraniza.

Assim, imagens reconfortantes se inscrustarão no pensamento do paciente, ao passo que, em um momento de fraqueza, as palavras do médium curador ressoarão em seu ouvido como um aviso amigável e salutar.

De um modo geral, o obsedado, como o imaginativo, devem, segundo a bela expressão de Curie, "fazer da vida um sonho e fazer de tal sonho a realidade".

E o psicólogo Antonin Eymiou, em seu livro "O Domínio de si mesmo", acrescenta o seguinte:

"Não um devaneio, um sonho de acaso absurdo e frouxo, porém um sonho ideal como o do marinheiro com a estrela: sabendo que não a atingirá nunca, mas que cada remada mais o aproximará dela. Uma vida sem um ideal é um mar sem a estrela e um inverno sem sol".

Efeitos fisiológicos da elevação espiritual

Opinião de um sábio

Escreve o Dr. Alexis Carrel, em sua notável obra "A Prece", o seguinte:

"É preciso entender por prece não a simples recitação maquinal de fórmulas, mas uma elevação mística em que a consciência se absorve na contemplação do princípio imanente e transcendental do mundo.

Esse estudo psicológico não é intelectual. É incompreensível pelos filósofos e homens de ciência e inacessível para eles. Mas diz-se que os simples podem sentir Deus tão facilmente quanto o calor do sol ou a bondade de um amigo.

A prece, que se acompanha de efeitos orgânicos, apresenta certos caracteres particulares.

Primeiramente, ela deve ser inteiramente desinteressada.

O homem se oferece a Deus como a tela ao pintor, o mármore ao escultor. Ele lhe pertence e aceita antecipadamente o seu veredicto. Inclina-se perante Ele, o Senhor dos Mundos, sabendo intimamente que a sua vontade infalível e todo-poderosa só quer o bem das suas criaturas, que ela só lhe pode ser favorável para o seu avanço rumo à felicidade espiritual.

Ao mesmo tempo pede a Sua graça e Lhe expõe as suas necessidades e sobretudo as dos seus semelhantes.

Em geral, não é quem ora para si mesmo que é curado. É quem ora pelos outros.

Essa espécie de prece exige como condição preliminar a renúncia de si mesmo. É uma forma muito elevada da prece do asceta.

Os simples, os ignorantes, os pobres são mais capazes desse desprendimento do que os ricos e os intelectuais. A alma deles, menos analítica, menos egoísta, não rompe o anelo do coração.

Assim compreendida, a prece produz às vezes um fenômeno estranho: o milagre".

Uma comunicação tão perfeita com o plano espiritual é coisa extremamente rara e essa raridade explica a das manifestações mais extraordinárias que decorrem de nossas relações com o Além.

Se a nossa vontade, conduzida pela fé, tem um tão grande poder sobre os fluidos anímicos e ambientes, que pensar da vontade das elevadas entidades espirituais que fulguram na imensidão sideral e dirigem as humanidades?

Para elas se volve a inteligência humana liberta do materialismo pseudocientífico e esclarecida pela doutrina contida no estudo dos fatos psíquicos.

A substância perispiritual, que envolve o espírito humano, ganha em leveza, em sensibilidade. Seu poder de irradiação e de captação aumenta e lhe permite operar prodígios quer em torno de si, quer no interior do corpo humano.

9

O que se deve responder aos enfermos

Como se diz com justa razão "uma desgraça nunca vem só". A pessoa, que procura o médium curador, é atormentada por múltiplas contrariedades que dependem habitualmente de seu estado físico, de seu meio, de seu gênero de vida, de seu caráter, de sua mentalidade.

É uma cadeia sem fim. Dir-se-ia que basta que certa malhazinha se solte na trama das provações para que as seguintes se ponham a mover e a entrar em ação.

É natural, desde então, que o doente procure livrar-se dessa aparente fatalidade, e faça uma experiência. Com uma extrema facilidade, ele desvenda a barafunda de sua vida cotidiana, fala de seus amores, de suas animosidades, de suas dificuldades financeiras, da casa que deve abandonar sob a pressão de um dono implacável, de um caso comercial difícil, de um roubo de que foi vítima, de uma viagem que não ousa empreender etc.

Quando a doença se instala em seu lar, eis a miséria, as discussões, as dificuldades materiais que surgem de todas as partes. Dir-se-ia que o enfermo arrasta atrás de si um círculo de desgraças.

Com a melhor boa-fé do mundo, ele garante a pureza de suas intenções. É muitas vezes sincero consigo mesmo, mas quase sempre não se apercebe de que ele é a sua própria vítima e se debate no turbilhão de seus próprios pensamentos. Sua animosidade contra a má sorte lhe dá um caráter difícil e corrompe as forças mais puras de seu ser, o que provoca uma degenerescência de seu estado físico. Emagrece, sofre, lastima-se, blasfema às vezes contra Deus que o tornou, julga ele, tão vulnerável à dor. E, no entanto, ele viola, cada dia, as leis espirituais e se espanta de ser vítima das sanções que dela decorrem.

O médium curador é um curador do corpo e da alma, reagindo um sobre outro e vice-versa. É o bom samaritano descendo de sua montaria para dar de beber à pobre vítima da sorte.

Seria então de mau tom encolher-se detrás de um non possumus intangível sob o pretexto de que se não deve rebaixar e se enfileirar na categoria das pitonisas de feira, das cartomantes ou de astrólogos em busca de alguns níqueis.

A intenção faz a ação. Ocupar-se da sorte material dos outros, com um fim moral e de reeducação, não é fazer-se adivinho e rebaixar-se pela causa.

Mas é necessário, em tal caso, atrair a atenção do enfermo para o papel providencial e moral do Espiritismo, que não pode desempenhar-se senão no caso em que ele se coloque sob a égide das leis que regem o destino humano.

O mundo, o universo, está submetido a uma ordem imutável que não podemos conceber em sua integridade. As próprias forças destruidoras cooperam para a evolução da vida rumo a um melhor ser espiritual.

Pelo desprendimento material, pelo perdão, pela prece e a meditação, o homem se solta progressivamente do mundo cá de baixo para se elevar em direção a um mundo de luas regido pelo amor espiritual.

Elevar-se bem alto para não ver as mesquinharias humanas, saber esperar a maturidade dos outros sem forçar o livre arbítrio deles, cumprir o seu dever com bondade, calma e confiança, rogando o auxílio do Alto, tais são as lições de sabedoria que ensina o Espiritismo, que nos afasta assim das malhas da sensualidade, do egoísmo e do orgulho que a nossa inferioridade e a nossa ignorância estendem sob os nossos passos.

Desde então as faculdades supranormais não podem exercer-se senão do ponto de vista científico, filosófico e moral, em virtude de sua mobilidade e de sua variabilidade, deixando a cada um o cuidado de tirar dele uma linha de conduta pessoal. Assim, a sensibilidade do indivíduo, a sua vontade, a sua inteligência, o seu julgamento não podem ser escravizados e ficam constantemente em "suspense" diante da multiplicidade das provas que solicitam.

A clarividência, com objetivo material, só pode ter por fim chamar a atenção do enfermo para o mundo espiritual, em vista da necessidade de reformar a sua mentalidade. Constitui um excitante, uma provocação à meditação sobre os assuntos mais graves da existência. Não pode ser utilizada de um modo sistemático e irracional.

Que admiráveis lições de coisas são as provações da vida! O médium curador deve ser o consolador, o reformador das almas.

Intelectuais, tende fé

Dissemos antes que o pensamento do curador age sobre os fluidos psíquicos e lhes comunica, assim como às coisas magnetizadas (líquidos e sólidos), as propriedades que ele lhes transmite.

Ao contrário o do enfermo, no momento do tratamento ou depois dele, pode aniquilar o bom efeito que lhe é destinado pelo mesmo jogo das forças das almas.

Se dizeis a um intelectual para ter fé, ele lhe responderá quase invariavelmente, se for um pouco iniciado: "Mas eu tenho fé, pois creio na realidade e na eficácia do magnetismo espiritual". Entretanto, a fé comporta uma coisa essencial: a aceitação pura e simples de uma idéia, sem discussão possível, sem exame preliminar.

Pela força de sua educação, o intelectual age no sentido contrário: ele perquire, sonda, desmonta um brinquedo, um relógio, decompõe a matéria, disseca o corpo humano para descobrir o Deux ex machina que os anima e mantém-lhes as partes constituintes. Em uma palavra, ele analisa e, se as suas capacidades lhe permitem, o reconstitui.

Mas o espírito de análise, que é um modo de atividade da inteligência, é uma força de demolição, de desagregação, uma força dissolvente, sobretudo quando ela se aplica aos fluidos psíquicos, à vida.

Quando o curador se encontra diante de um intelectual, este o interroga, pede que lhe explique o imponderável, examina os efeitos da cura sobre o seu próprio corpo, estuda as reações e, se uma melhora não for imediata, ele duvida e se perde quase sempre nas mais absurdas conjecturas.

Mau grado seu, por hábito, ele analisa; em uma palavra: ele não tem fé.

Sem que duvide disso, o seu pensamento é um fermento esterilizante. Mata a vida no que ela tem de mais sutil.

Na realidade, os fluidos que emite e os seus movimentos criam um meio hostil aos do curador e a cura, tão esperada, não vem.

Que fazer diante de um doente tão pouco dócil, tão contrariante?

A resposta está no que vamos dizer: o intelectual deve, antes de tudo, não querer compreender a todo o preço o que se passa. Sua incompetência nesse terreno deveria aconselhá-lo a deixar a outros, cuja saúde é equilibrada, o cuidado de buscar e às vezes de achar. Que ele rejeite a priori as mil sugestões das pessoas ditas bem informadas, que guarde o seu pensamento na calma e faça de sua melhora um quadro repousante.

Ele terá tudo a ganhar se entrar na residência do médium curador pensando: o homem tem virtudes, potencialidades ainda desconhecidas da Ciência. As últimas descobertas, a radioatividade dos corpos, abriram a porta para um oceano de forças invisíveis e formidáveis. As forças psíquicas fazem partes destas.

Dilema...

Então, depois de tudo, meu amigo, que pensais de meu estado?

- Penso, responde o médium curador, que, com um pouco de paciência, vosso estado irá melhorando de dia para dia.

- Entretanto, replica o interlocutor, desejo saber se podeis realmente curar-me. Se...

- Que quereis que vos responda? Se vos digo que o vosso estado depende, em grande parte, de vós mesmo, isto vos dará uma sugestão perniciosa, uma dúvida lastimável, um temor que agirá à revelia sobre o vosso sistema nervoso e provocará um acréscimo de perturbação em vosso organismo. Eu entravo, de certa forma, a cura que buscais e trabalho contra vós mesmo.

Viestes, dizeis vós, para que eu vos tratasse... Então afastai de vosso pensamento todo raciocínio que enfraqueça a vossa confiança, arejai o vosso espírito, libertai-o dos termos médicos que mantêm a idéia de doença. Lançai por cima da borda os gemidos inúteis, as imagens de inquietação e de sofrimento. Renunciai uma vez por todas ao que vos intranqüiliza, ao fanatismo, às paixões sensuais. Pensai bem, com beleza, com bondade. Distrai-vos dedicando-vos em favor dos mais infelizes. Mudai o quadro de vossas ocupações familiares e, sobretudo, esquecei-vos de vós mesmo na ação altruística.

E agora elevai o vosso pensamento a Deus, Inteligência Infinita, grande dispensador da vida. Ponde toda a vossa confiança na Providência, dizendo a vós mesmo que a vossa saúde é, como o vosso caráter, a resultante de vosso passado, de vossa imaginação, de vossa vontade, que o vosso organismo, fortalecido pelos fluidos, pode estar em posição de ultrapassar os obstáculos acumulados por um mau comportamento durante os anos escoados.

E, agora, mãos à obra, quereis vós?

Ao médium curador

Amigo, eis-te médium curador... ou prestes a sê-lo.

Convencido da realidade espiritual, tu te debruçaste sobre o sofrimento e pediste para servir. Instrumento do Além, te tornaste o artífice da Bondade, o arauto da Boa Nova, da Sabedoria, da Virtude e do Amor.

Sem medo e sem censura, és um curador do corpo e do espírito.

Perto de ti, sentirás palpitar corpos em aflição, estremecerás ao contato de almas desgraçadas, porém caminhe sem temor. A felicidade, que espalharás ao redor de ti, será a tua força e a tua recompensa.

Mas sê prudente em teus pensamentos. Faze aí um lugar de honra ao que torna o homem melhor: o amor de Deus e dos homens.

Desconfia de ti mesmo. A língua é uma arma de dois gumes. O silêncio é muitas vezes preferível.

Desalterando as multidões que têm sede da verdade e da piedade, prosseguirás no teu caminho, com os olhos fixos na meta final: a felicidade dos homens.

Sabe também que a dor é por vezes necessária. Desde então, inclina-te perante a Vontade Soberana que, por caminhos desviados, muitas vezes despercebidos dos homens, os conduz à sabedoria.

Pela quietude dos dias de alegria, como pelo calvário de sofrimento, o homem adquire experiência e evolui. Como o calor tórrido e o frio glacial, em se sucedendo, desagregam o granito, assim a dor e a esperança desarticulam, dissociam a nossa indiferença, o nosso orgulho, o nosso egoísmo, a ganga que aprisiona a nossa alma.

Que os teus êxitos não te virem a cabeça. Não te esqueças de que és um instrumento dócil nas mãos dos teus protetores espirituais.

Tem confiança e nunca volvas para trás. Detrás de ti, há a dúvida, o medo, o nada. Diante de ti, ao contrário, a ação, a vida.

Na hora do crepúsculo, quando as estrelas cintilam no céu, quando a tarefa foi cumprida, retempera as tuas energias na prece e oferte, em holocausto a Deus, as tuas forças, a tua inteligência e o teu coração.

Então sentirás vir a ti as inteligências supraterrestres, as almas devotadas que aplainam diante de ti o caminho que te faz desviar do abismo onde se debatem as misérias humanas.

Em teus sucessos, sê humilde e tornar-te-ás um verdadeiro discípulo de Cristo, cujo clarão luzirá sobre a tua fronte.

Mãos à obra, obreiro da Providência, pois um caminho luminoso te está aberto. Ele te levará a Deus.

FIM